Como vejo a missão de Jesus



 



A mensagem de Jesus era “A vinda do Reino de Deus”, mas a igreja passou a pregar a mensagem da salvação dos pecados pelo sacrifício de Jesus.

Jesus sentia-se imbuído da missão de trazer o Reino de Deus a Terra. Essa era a sua missão. Sua missão nunca foi pregar a si mesmo como um cordeiro que iria ser morto para salvar a humanidade.

A única salvação para a humanidade seria a vinda vitoriosa do Reino de Deus, que destruiria os alicerces da opressão, principalmente contra os mais pobres (daí a bem-aventurança à eles).

Em seu sermão escatológico, Jesus disse que aquela sua geração não passaria sem que ela visse isso acontecer - ou seja - a vinda do Reino.

Mas a prisão e a condenação de Jesus precipitou as coisas. Na cabeça de Jesus, a sua prisão seria o ponto ômega de sua missão; seria a hora que Deus irromperia na história para mudar a história.

Jesus perguntou a Pedro quantas espadas eles tinham. Pedro disse "duas", e Jesus disse "basta".

Ora, não seria a mão humana que destruiria os alicerces da opressão, seria o próprio Deus, por isso, bastariam "duas espadas".

Mas Jesus foi para a cruz. O grande evento não se deu.

Jesus não sabia o que estava acontecendo. Onde estava Javé, seu Pai?

O brado na cruz seria a síntese histórica que ficou preservada no evangelho: "Pai, por que me abandonaste?", ou seja - "Pai, por que não ages?".

Jesus morreu sem ver sua missão cumprida.

Desde então, seus seguidores reinterpretaram sua missão, adicionando outros elementos que lhe eram estranhos, mas que de uma forma ou de outra, contribuiu para perpetuar a história daquele nazareno formidável.

Para mim, essa é a síntese histórica mais provável e mais lógica para a história de Jesus.

Como disse Albert Schweitzer, Jesus pôs a pedra da história para rolar, mas por fim, foi esmagado por ela.

Amém.