Tolerância ou acolhimento?



 



O cristianismo, assim como as demais religiões, assumiu a idéia de exclusividade de seu grupo. Esse é um dos valores mais perigosos a ser transmitido para as gerações futuras. Pois gera a mais terrível das intolerâncias. Que é a religiosa.

Por falar em intolerância, o filósofo Mário Sérgio Cortella, escreveu que a tempos já substituiu a palavra "tolerância" por "acolhimento".

Segundo ele, quando alguém usa o termo tolerância, ele que dizer que suporta o outro. Pois tolerar é suportar.

Funciona mais ou menos assim: Eu respeito suas convicções e sua individualidade. Mas não quero contato contigo ou com seu grupo.

Yves de la Taille vai mais longe ao dizer que a tolerância somente é superior ao menosprezo, a agressão e o fazer o mal ao outro. Pois a tolerância tem um significado pobre.

É fácil tolerar alguém ou a um grupo com idéias divergentes. O problema está em saber que ela ou esse grupo está inclusa no "nós".

É uma falácia dizer que tolera, mas adotar o lema do "eu de cá e você de lá". Ou seja: Cada qual luta por seus ideais, mas sem compartilharem de objetivos comuns.

Já no acolhimento, a pessoa recebe o outro, ou grupos, na qualidade de alguém como "eu". Como "nós". Acolhemos suas convicções e ideais. O acolhimento tem um sentido mais nobre. De maior inclusão. De se praticar de fato a fraternidade. De olhar o outro como outro e não como um estranho.

Neste aspecto, concordo que ao invés de disseminar a noção de que no campo da religiosidade é preciso ter políticas de tolerância, deveríamos trabalhar de fato com políticas de acolhimento.