O manifesto de um Cristianismo a-religioso





Desde já está "oficialmente" inaugurado um novo cristianismo, um novo modo de interpretar o sagrado por termos visto a realidade evidente da inaptidão total da igreja cristã como religião para todas as pessoas de personalidades diferentes, e tipos sociais distintos. Pois o que se precisa agora é de um cristianismo para aqueles que depois de terem passado pela religião, não deixaram de serem essencialmente religiosos. Só que agora uma fé expressada nas mesas dos bares e encontros virtuais, pois espontaneamente milhares estão fazendo o mesmo no mundo inteiro, e já não se tem mais volta, porque descobrimos que a fé profunda de um coração forte sobrevive sem as regras e mandamentos das instituições.

Um cristianismo onde a religião não mais determina ao homem adulto o que ele pode beber, que musica ouvir e onde freqüentar, ou como ele tem que lidar com sua libido, mas onde cada um decide conforme a sua consciência com quem e quando ele pode desenvolver a sua sexualidade a qual é sua responsabilidade e direito por uma lei imperiosa da natureza, que de uma forma ou de outra há de se expressar, quer seja doentia ou explosiva pela repressão da religião, ou programada e responsável pela consciência de um cristianismo de moralidade adulta e secular. Entretanto, por mais que não se tenham as regras, o coração não se perverteu, pois está profundamente marcado, pelo fato de termos passado pela religião, e termos olhado demoradamente nos olhos do Cristo sobre a Cruz.

Trata se de uma fé purificada da dissimulação que é elemento da religião e, por isso quando no nosso momento de ira nada santa, não mais xingamos com os palavrões e insultos evangélicos hipócritas carregados de raiva como: maldito, desviado ou filho do diabo, vamos logo com um filho da puta de uma vez, porquanto ser filho de puta que se vende para criar os filhos é bem melhor do quer ser filho do cramulhão que é um cara muito religioso, pois não sai da boca e ambiente dos cristãos. E a qual foi completamente abolido de nossos assuntos juntamente com os fantasmas que deixamos de temer e acreditar por nos tornarmos adultos. E se de fato ele existe, isso não nos interessa, pois anjos e demônios, céus e infernos, imortalidade da alma e condenação eterna já não nos atemoriza e nem nos seduz mais. Visto que pelo menos em tese, já saímos das demonizações que buscam um céu espiritual em detrimento desta vida que Deus nos deu para podermos encontrá-lo nos olhos dos outros.

Um cristianismo não religioso, não se opõe necessariamente a religião (igreja), pois foi nela que começamos e demos os nossos primeiros passos essenciais. Ela é a nossa grande mãe, e por mais que a maioria dos seus filhos vivam ao seu redor e sobre a sua tutela e proteção, nós como filhos mas individualistas e rebeldes tivemos naturalmente que sairmos para ganhar a vida em outros mares. Mas ainda devemos seu respeito como genitora de nossa fé, e por isso sempre voltamos à tardezinha no final do dia para tomarmos café com os nossos irmãos mais velhos e rabugentos, e ouvir os repetitivos e bons conselhos dessa respeitosa e amada senhora quase caduca.

Tudo o que a religião não queria, agora fazemos! Assentamos à roda dos escarnecedores, nos detemos a ouvir o conselho dos ímpios e também trilhamos o mesmo caminho dos pecadores. Tendo em mente de que o que não é mais proibido não mais exerce sedução sobre a nossa alma. E é por isso que o único requisito que se tem para poder entrar nessa religião pretensamente não religiosa é que o coração esteja liberto do medo de Deus, seja forte, nobre e naturalmente inclinado ao bem. Para que não mais se estabeleça novas regras e uma nova conduta a qual não seja espontânea de um bom coração a moda dos honestos e bons cidadãos não praticantes da religião.



Fonte: Cristianismo a-religioso