Implacável tempo






Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para”

(Cazuza)


Somos hoje o resultado daquilo que construímos durante o tempo que chamamos de passado. O nosso futuro está ainda em construção. Em aberto. Suas formas, de certa maneira transcende nossa capacidade de previsão.

E por isso que somos tomados por um sentimento de apreensão, quando percebemos que o futuro, ainda incerto, se aproxima com uma rapidez avassaladora, dando-nos a impressão que o presente apertou de vez o acelerador da passagem do tempo. Seria esta sensação de que o tempo está passando numa velocidade jamais vista apenas ilusão ou a teoria de Schumann em relação à alteração na ressonância do campo eletromagnético que circunda a terra tem procedência?

Ou será possível que a medida em que vamos envelhecendo, assumindo novas responsabilidades, desempenhando múltiplos papeis, cruzamos uma fronteira virtual que nos faz viajar numa velocidade diferente daquela idade onde imaginávamos que tudo na vida não passava de um grande circo?

Esta inquietação não é exclusividade do homem pós-moderno! Tiago disse em sua carta: “o que é a vida, senão um vapor!”. Já foi com este pensamento em mente, que Heráclito disse que o homem não pode pisar duas vezes no mesmo rio. Pois o homem que dá o primeiro passo já não o mesmo que dá o segundo. E nem o rio de um segundo atrás é o mesmo de agora. Tudo flui continuamente. O tempo é implacável!