O Feminino na Teologia Judaico-cristã






Quanto mais estudo a religião em conexão com a psicologia, mais percebo a estrutura dos arquétipos que estão por trás de toda a construção da existência humana. A tradição judaica no Gênesis tinha antes de Eva uma figura feminina por nome “Lilyth”. Essa foi à primeira “mulher” criada perfeita, mas se “rebelou” contra a autoridade masculina.

Na cabala Lilith é tida com a primeira mulher, antecede Eva no antigo testamento, também responsabilizada pela “desordem no universo masculino” (sempre elas não é?)

Ela abandonou o jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio, essa passagem está registrada no livro do profeta Isaias, segundo a interpretação Rabínica.

Algumas interpretações dizem que Lilyth se rebela quando percebe que é da mesma matéria prima que adão, essa percepção culminou na recusa: “Ficar sempre por baixo durante o ato sexual”.

Lilyth é a precursora que remonta o inconsciente revoltado contra o “domínio patriarcal, teve a audácia de questionar Deus sobre a razão dessa inferioridade ele reponde: “Essa era a ordem natural, o domínio do homem sobre a mulher”. Essa resposta a levou a abandonar o Éden.

Após os hebreus terem deixado a Babilônia Lilith perdeu aos poucos sua representatividade e foi eliminada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, e depois da solidão de Adão no gênesis.

Agora deixando o fundo histórico, o que percebo é que o homem ao longo da história criou mecanismos de defesa, sentiu-se ameaçado, seja qual for a forma que a mulher ganhou ao longa da história seja Astarte, Lilith, Rainha dos céus, Eva ou Maria.

Uma coisa percebe-se no fundo do inconsciente masculino: “O homem sente-se ameaçado”.

A divindade do Espírito Santo no novo testamento como uma “personalidade assexuada”, seria a síntese inconsciente, para ficar num “meio termo”, nem o pai vetero testamentário, nem o filho neotestamentário, nem a mãe, Maria mãe de Deus, que gerou um filho do pai, mas esse não era homem somente, “era Deus-homem”.

Filho de Mulher sem contato de homem! O Espírito Santo é a SINTESE da divindade, nem masculino nem feminino, “neutro”, visto que a ausência da figura masculina ou feminina no arquétipo humano deixa-o deficiente.

Só o Pai do AT) , simbolizando a força, o poder da guerra, a manutenção da vida, deixa deficiente,da ausência do colo materno, geradora da vida, leite, cuidado no crescimento!

A figura feminina é responsável por gerar a vida, a masculina por protegê-la.

A história da humanidade não conseguiu conciliar esse dois lados importantes da existência humana. Um sempre excluiu o outro, no novo testamento, surge uma terceira via, que ninguém via, a saber: Um “Deus” que os cristãos adota pela necessidade inconsciente de apaziguar esse conflito.

Nem o pai, nem a mãe, nem o filho, ou todos ao mesmo tempo e nenhum exclusivamente, que tal o “Espírito Santo”? Na teologia tem as mesmas glórias do pai e do filho, são eternos, mas diferentes individualmente!

Além do que, a teologia do Espírito pode ser uma expressão inconsciente da associação do pecado ao sexo, por isso a mulher fica “grávida do Espírito” não é um homem que a engravida, mas o próprio “Deus”.

Isso porque a “mulher” não teria pureza suficiente para gerar um “santo” com o homem, nem o homem a poderia “purificar” visto ser ele também impuro.

Não seria essa forma do Novo testamento inconscientemente valorizar a mulher? Ao mesmo tempo que a salvação vem por um homem, não é o homem o autor da salvação?

È um “homem” que redime, mas esse não é filho da “mulher”, nem “filho de homem”. Não é fecundado por homem, mas pelo “Espírito”. (Ruah: vento, sopro, ar em movimento). Com personalidade, mas “assexuado!

Seria inconscientemente uma repugna ao “sexo” ao mesmo tempo uma resignação contra o domínio “Masculino”? Uma tentativa de “equilibrar”, visto que a mulher tem maior participação do que o homem na história da redenção cristã?

Não seria “filho do homem” o redentor, mas seria “semente da mulher”! Opa! Mas quem disse que mulher tem semen-te? Não importa estamos falando de fé...