Os templários foram banidos da Igreja



 

Pressionado pelo rei da França, o papa Clemente V não teve escolha senão excomungar esses monges-soldados acusados de sodomia, blasfêmia e idolatria, certo? Errado!


Por Olivier Tosseri


Em meados do século XIV, os Templários foram perseguidos por toda a Europa, e sua ordem de fato foi dissolvida. No entanto, esses cavaleiros nunca foram excomungados pela Igreja de Roma.

Criada em 1119 pelo francês Hugo de Payens, a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente Ordem dos Templários, foi concebida com a função de proteger os peregrinos que partiam para Jerusalém durante o período das Cruzadas. Cerca de dois séculos depois, o grupo já era considerado uma potência militar, ostentando um contingente de aproximadamente 15 mil homens, e financeira. Os cavaleiros estavam entre os principais proprietários de terras do período, donos de numerosos feudos e de uma rede própria de mosteiros.

A ordem mantinha negócios com todos os grandes senhores da Europa medieval, além de constantemente emprestar dinheiro para a Igreja e gerir alguns de seus bens. Entre seus “clientes” estavam figuras ilustres como o rei João I da Inglaterra (1166-1216) e Filipe IV, o Belo (1268-1314), soberano da França e principal artífice da destruição dos Templários. Sua ofensiva contra a ordem tinha dois objetivos: a ampliação dos domínios do reino francês e o enriquecimento de seu Tesouro.

Na manhã do dia 13 de outubro de 1307, uma operação lançada secretamente pelo conselheiro real Guilherme de Nogaret resultou na prisão de todos os Templários da França. Os membros da ordem foram interrogados sob tortura e entregues aos inquisidores dominicanos, que os condenaram por heresia, apostasia (afastamento da doutrina pregada pela Igreja), idolatria e sodomia. Alguns foram condenados à morte na fogueira. Chocado com as confissões obtidas pelos lacaios de Filipe IV, o papa Clemente V (1264-1314) determinou a prisão de todos os Templários da cristandade.

Criaram-se comissões eclesiásticas para investigar os membros da ordem, e, em 1311, um concílio se reuniu na cidade francesa de Vienne para avaliar as informações coletadas e julgar os cavaleiros. A culpabilidade do grupo ficou longe de ser uma unanimidade, e alguns dos presentes propuseram que ele fosse reformado, não abolido. Temendo um conflito com o rei da França, Clemente V demorou a tomar uma decisão.

Finalmente, em meados de 1312, o papa foi informado de que Filipe, o Belo, estava marchando em Lyon com o seu exército. Vencido pelo medo, o pontífice assinou no dia 3 de abril a bula Vox in excelso, simplesmente suprimindo a Ordem do Templo, sem condená-la. Outra bula, chamada de Ad providam, decretou que os bens do grupo fossem transferidos para os beneditinos da Ordem de Malta. Por fim, uma terceira bula anunciou que o papa se encarregaria de julgar os acusados, mas eles não seriam excomungados.

Em países como Inglaterra, Espanha, Portugal e Alemanha, os Templários foram inocentados. Na França, absolveram-se aqueles que reconheceram seus erros. Assim, Filipe IV fracassou em seus planos de espoliação total dos bens dos Templários em proveito próprio. No entanto, o rei francês conseguiu prender o grão-mestre Jacques de Molay, que foi queimado vivo em Paris no dia 19 de março de 1314.