Oração de entrega e a tradição evangélica-pentecostal



 



“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue tome a sua cruz e siga-me”. Marcos 8.34.

A tradição evangélica-pentecostal não valoriza orações escritas por crer que elas podem tornar a comunicação com Deus mecânica ou artificial. A Bíblia, todavia, contém várias preces e salmos que só sobreviveram ao tempo porque foram escritos.

Contradizendo a herança religiosa de onde venho, aprendi uma oração de entrega; prece que marcou um tempo de minha vida, e ainda hoje me acompanha. Com ela aprendi o significado de andar nas pisadas de Jesus. 

Quando a alma e o ego querem se ensoberbecer e a vontade, tornar-se rainha, releio essa breve oração.

Qualquer um, independente da tradição religiosa, pode repeti-la:

“Em tuas mãos, ó Deus, eu me abandono. Vira e revira esta argila como o barro nas mãos do oleiro. Dá-lhe forma e depois a esmigalha como se esmigalhou a vida de João, meu irmão. 

Manda, ordena. Que queres que eu faça? 

Elogiado e humilhado, perseguido, incompreendido, caluniado, consolado, sofredor, inútil para tudo, não me resta senão dizer a exemplo de tua mãe: ‘Faça-se em mim, segundo a tua palavra’.

Dá-me o amor por excelência, o amor da cruz, não o da cruz heróica que poderia nutrir o amor próprio; mas o da cruz vulgar que carrego com repugnância, daquela que se encontra cada dia na contradição, no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos, na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros, no mal-estar e nos defeitos do corpo, nas trevas da mente e na aridez, no silêncio do coração. Então somente tu saberás que te amo, embora eu mesmo nada saiba. Mas isto me basta”.


Soli Deo Gloria