Perguntaram-me se estou firme com Jesus






Perguntaram-me se estou firme com Jesus. Perguntinha de gueto religioso, especificamente da turma evangélica, esta turma que de tão perto de Deus já se acha quase divina, mas enfim, o que seria de nós se não fossem as perguntas com as oportunidades intrínsecas de dizermos o que pensamos? O que seria de nossa particularidade se não houvesse o atrevimento alheio? Atrever-se no outro é um lugar comum na complexa relação humana, por isso, me submeto a qualquer pergunta desde que seja conveniente respondê-la, afinal de contas, o ser humano é um ser de conveniências, estabelece seus critérios e valores a partir de suas vontades.

Perguntaram-me se estou firme com Jesus. Pra início de conversa, na minha vida Jesus não tem sido um amuleto pessoal. Na minha vida Jesus não é cantiga de roda cantarolada a qualquer instante. Na minha vida não preciso falar o nome dele o tempo todo pra dizer que estou com ele ou ele comigo, se assim o faço é porque já não sei se estou nele ou ele em mim. Ademais, sobre esta implicação apenas me satisfaço em saber que ele está em mim, e está em mim até mesmo quando não estou nele.

Perguntaram-me se estou firme com Jesus. Eu sei por que me perguntaram. Os religiosos não entendem nada sobre a vida, e muito menos sobre a vida plena que o próprio Jesus evidenciou. Jesus por inúmeras vezes tentou explicar para os fariseus o que era a vida, mas eles nunca compreenderam. Eles queriam que Jesus julgassem quando Jesus perdoou, eles queriam a distância a despeito da proximidade, Jesus era um paradoxo inquietante para os religiosos fariseus e os demais. Assentava-se com doentes, era tido como glutão e beberrão, perdoava prostitutas, amava o aflito, andava em lugares profanos, vivia com pecadores, e por onde passava deixava o rastro do amor, redimindo lugares e pessoas.

Perguntaram-me se estou firme com Jesus. A quem interessa a resposta da pergunta? A quem interessa os fatos e não o modo de como vivo com Jesus? Faz tempo que decidi não perder meu tempo com os religiosos fanáticos fariseus. Rubem Alves, no livro-resposta para uma pergunta tal como esta que me fizeram, animou-me em escrever que “tudo o que vive é pulsação do sagrado e é preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida”. Se estou firme com Jesus? Sim, estou, mas, talvez não seja com o teu.