O ACASO vai me proteger




Enquanto eu andar distraído.
O acaso vai me proteger
Enquanto eu... (Epitáfio, Titãs)

“Porquê ele e não eu?” Exclama enxugando suas lágrimas, um pai enlutado diante do corpo de seu filho ainda jovem. Vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Determinismo? ACASO? Fenômeno natural inerente à dinâmica da vida? Existe um “porquê” como resposta à esta pergunta que o pai refletidamente fez?

Seu questionamento transcende as potencialidades lógicas elucidadas pela ciência médica. Existe uma mecânica de causas que o levaram ao óbito. Disso ele sabia! Existia uma combinação de fatores que apesar de abscônditos seriam apontados a posteriori como sendo a causa da morte. Quanto a isso ele não tinha dúvidas! Sua reflexão é introspectiva, mas com extensão para outra dimensão de existência, como se houvesse uma conspiração nas esferas metafísicas que tivesse determinado a ocorrência.

A teologia judaico-cristã, de forma simples tenta responder a questão excluindo do seu pensamento, a possibilidade das coisas acontecerem acidentalmente, aleatoriamente, sem finalidades. Traz em sua concepção a ideia de um planejamento deliberado em conselhos divinos. Como se a existência seguisse um roteiro minuciosamente previsto e traçado, diante do qual não se pode escapar. Elimina-se com isso o ACASO como sendo uma das possíveis respostas.

Se lançarmos a resposta na conta do ACASO, atribuiremos a ele o status de fenômeno objetivo, com forças sobrenaturais para ações objetivas, como sugere a música. Com este pensamento em mente que Machado de Assis disse que “O ACASO é um Deus e um diabo ao mesmo tempo”.

Existe um meio termo, algo que se situe entre o determinismo e o ACASO, que nos seja cognoscível?

A ciência clássica vê o mundo material como algo determinístico, ou seja, como um gigantesco mecanismo de relógio pré-programado. Mas a física quântica admite a possibilidade de eventos aleatórios. No campo da metafísica, que é onde situa a pergunta do pai enlutado, a resposta estaria também em aberto?