Motivações missionárias





E neste mundo, qual Babel,
Há muitos em prisão,
Sofrendo uma dor cruel,
Sem ter consolação 

(Harpa Cristã 137)

O homem macedônio da visão de Paulo se tornou o arquétipo de não-cristãos, implorando aos mensageiros de Cristo que fossem ajudá-lo. Contudo, ao longo do tempo, houveram significativas alterações nas intenções e motivos para a prática missionária. Por exemplo:

No despertar missionário do século 18, os enviados eram constrangidos pelo amor a Jesus. O lema era o seguinte: “Onde quer que, no momento, há mais a fazer pelo salvador, ali está o nosso lar”. O vigoroso incentivo e motivo dominante dos evangelizadores era a gratidão ao amor de Deus em Cristo e uma prova de devoção a Ele. Existia naquele paradigma de despertar missionário, um enorme senso de gratidão por aquilo que tinham recebido e um desejo urgente de compartilhar com outros.

No século 19, porém, houve uma mudança nada sutil na motivação evangelizadora. O amor ao Salvador, unido à solidariedade foi substituído por dó e condescendência. Na maioria dos hinos e mensagens escritas ou faladas, os “pecadores” eram descritos de maneira extremamente sombria, como uma vida de permanente inquietude e infelicidade, agrilhoada por horrendos pecados. Os não-cristãos eram vistos praticamente como selvagens, como seres desprovidos de vida cultural e espiritual, a escória da humanidade, pessoas totalmente depravadas e privadas dos benefícios do “mundo cristão”. Almas deploravelmente perdidas, escravas do diabo e de seus engenhosos esquemas, imersas em miséria corporal e espiritual.

E por incrível que possa parecer, mesmo depois do indubitável nivelamento entre crentes e não crentes, este último modelo continua em vigência em vários círculos cristãos, como ilustrados na canção supracitada.