A igreja de Jesus e a igreja de Paulo






São igrejas nascidas de um mesmo berço, mas que tomaram rumos distintos.

A primeira é imperceptível, não tem aparência externa, nem rótulos, vive em movimento porque segue no Caminho, prega as boas novas: O reino de Deus chegou! Crê em um só Pastor, ouve a sua voz e o segue. O Espírito Santo a conduz.

"O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito."

Edificam-se e fortalecem-se entre si, no encontro de dois ou três, em nome de Jesus. Não se ouve sua voz nas praças, nem os vêem sentados nas cadeiras do poder. Sua ceia é posta na mesa do mundo, compartilham-na com os pobres, os doentes, os perdidos da casa de Israel e quem mais chegar enviado pelo Pai.

"O que é teu é teu e o que é meu é teu"

Essa igreja não está congelada em repetições: nem de orações, nem de rituais. Experimenta tudo, para saber o que lhe convém. Olha para o Mestre, ora para que prevaleça a Sua vontade e pede forças para seguir em frente. Faz silêncio para ouvir a sua voz. Sua fé torna a vida viva, vibrante e cheia de significado. O corpo brilha, o mundo brilha, as trevas fogem. Todos os dias agradecem a Deus por tão grande chamado, O adoram sem cessar… Em espírito e em verdade.

Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.

A segunda, é grande, visível e cheia de endereços. Fortemente influenciada por Paulo de Tarso, apóstolo derradeiro de Jesus, deixou-se contaminar pelo ranço do farisaísmo. Volta a intermediar a relação entre Deus e os homens, lança o germe das estruturas eclesiásticas, e transformam memoriais em rituais de anestesia e congelamento. Outra vez, a misericórdia é condenada ao segundo plano. A ação do ES é substituída por “diplomados” na fé, ídolos carismáticos e, as vezes, letrados, que atraem multidões e consolidam o mercado da fé – Cristianismo.

Não vem o reino de Deus com visível aparência.
Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.
Para eles, Paulo e Jesus são um só (sua maior heresia), e, por isso, citam muito mais Paulo, com o seu viés cultural, que o próprio Jesus.

“E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.”

Essa brecha vai abrindo espaço para as outras, quando esses ídolos, depois de sua morte, são transformados em pequenos deuses que realizam mais milagres que o próprio Jesus. Aí o monstro da instituição se transforma numa besta, que consome recursos sem cessar, submete os homens a sua vontade e condenam Deus a santuários fechados, privados e cartilhados. Tenta-se um movimento de reforma que pretende voltar ao Mestre e a condução do ES, mas o tiro sai pela culatra. O resultado do movimento é que, em vez de ídolos mortos, agora temos os ídolos vivos, que falam muito, e seduzem multidões com os seus gritos nas praças. Milagres aos borbotões, os que trabalham para “A Obra” vão se tornando prósperos e bem situados, para honra e glória dos deuses da fé. Vivem para gloriarem-se uns aos outros. Os pobres iludidos que sustentam “ A Obra” continuam na “fartura” (faltando tudo), mas eles prometem que o reino de Deus um dia virá, futuro.

Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.

A primeira é a igreja dos profetas, do Messias e do evangelho. A segunda é a igreja dos homens, no final dos tempos… Em qual delas você está?