Dízimo e oferta no mercado de peixes






- Olha só o estado de vocês! Vociferou Santa Escritura. Por onde vocês andaram que estão imundos dessa forma?

- Nós… eu…  

- Nem mais um piu, os dois tomar banho. Que vestes são estas, francamente!  Lá se foram os irmãos maltrapilhos, dízimo e oferta, cada qual a um banheiro.

Não entendo, pensou Santa, se eles têm tanto, por que andam assim, rotos? Depois de devidamente banhados, a matriarca os chamou para uma conversa. 

- Filhos, vocês são de linhagem nobre, quantos fracos, doentes, desvalidos, vossos antepassados socorreram, do jeito que vocês estão agindo, envergonham a família.

- Mas, mãe, eu tenho feito grandes investimentos, ( objetou dízimo, eu também, acresceu, oferta)

- Vocês não nasceram para isso, advertiu Santa. Nada mais infeliz do que alguém que perde o sentido da vida, e vocês perderam, faz tempo. 

- Olha, mãe, eu tenho adquirido TVs, construído templos majestosos, comprado aviões… – Eu ajudei, (apressou-se a gratuita oferta) 

- Eu sei, volveu Santa, e esse é o problema. Quem disse que vocês deveriam fazer isso?

- Mas, mãe, assim, mais pessoas ouvem falar da Senhora…  

- Sim, nunca se falou tanto de mim, mas, eu preferia que me deixassem falar… do jeito que estão fazendo, parece que meu anseio é que vocês cresçam, quando, na verdade quero que as pessoas se salvem.  Não gosto do ditado popular, “falem bem ou falem mal, mas falem de mim.” Odeio mentira. 

- Vocês precisam evitar as más companhias. Vocês lembram que meu Querido Esposo disse: “ide por todo o mundo e apresentai , minha amada a todos”? 

- Sim mamãe, volveu o Didi, eu tenho alcançado o mundo mediante a tecnologia…

- Você não entendeu o que Ele disse filho, “Ide”, não falai à distância. Pastores eletrônicos não visitam, não ouvem, não oram em particular pelas ovelhas; além disso, vivem como astros, intocáveis, seus erros são encobertos enquanto os que vão para o front, fazem aquilo tudo, além de serem conhecidos pessoalmente, de modo que devem zelar pelo bom testemunho.

Eu tenho casas humildes nos mais remotos rincões, e, com pastores de carne e osso, tenho alcançado vidas. Vocês degeneraram depois que passaram a andar em más companhias. Gente honesta que precisa de vocês está sendo prejudicada, por causa das corjas com as quais vocês têm andado.

Vocês nasceram altruístas e santos, agora, estão mercenários e sujos, e ninguém mais confia em vocês, uma vergonha.  Vou contar-lhes uma fábula de Esopo.

“Certa vez, uma raposa estava ferida em sua toca, e um leão ofereceu ajuda, dizendo ter qualidades medicinais na língua; Na sua língua até confio, (disse a raposa) o que temo são os dentes que moram perto dela”. 

Dessa forma agem os pilantras com os quais vocês têm andado. Encenam ter minhas virtudes saneadoras na língua, mas, cercam-nas os dentes de voraz cobiça, não se pode confiar neles. 

Que adianta adquirir tantas posses e andar sujos, como vocês andam? Vocês fizeram de seu próprio crescimento um fim. Dízimo e oferta para adquirir meios de arrecadar mais dízimo e oferta, que vergonha!!!

- O que devemos fazer então mãe?  (perguntou Fertinha, envergonhada) – Esqueçam a ostentação, os superstars góspeis, os templos inúteis que cultuam ao orgulho, os aviões que transportam lobos, voltem-se às necessidades verdadeiras, como fizeram seus antigos parentes.

Vocês não são um fim, antes, um meio de alcançar aos carentes de salvação e de alimento, vestes… aqueles que alimentam vocês porque em troca se lhes promete riquezas, facilidades, me desprezam e ao meu marido, que nunca prometemos isso.

Lembram daquela parte em que Ele falou que a viúva que dera duas moedas fizera melhor que os ricos que esbanjavam sobras? Sentimento de gratidão a Ele, pois, vale mais que dinheiro, e se vocês atuarem em socorro aos desvalidos, como ensinou, “A mim o fizestes”, disse.

Vocês tem sido motivo de escárnio às coisas santas, por culpa das péssimas companhias que escolheram, com ensina um provérbio chinês:


“As más companhias são como um mercado de peixe; acabamos por nos acostumar ao mau cheiro.”