Clube da Capa Encardida



  


O Clube da Capa Encardida, conhecido também como Movimento da Capa Envelhecida, foi um movimento originado principalmente, mas não exclusivamente, na igreja evangélica brasileira, do final do milênio passado e início do atual.

O movimento foi obtendo dinâmica especial, e descentralizada, com a interação oferecida pela então recém chegada internet e suas redes de relacionamentos, com Blogs e mini-blogs.  Hoje, há mais de quinhentos anos de distância e, principalmente, devido ao seu caráter predominantemente anárquico, é difícil rastrear quais seriam os principais expoentes daquele movimento cristão brasileiro. 

Uma lista fatalmente injusta e totalmente incompleta é aqui proposta: Tuco Egg, Rondinelly, Alysson Amorim, Volney Falstini, Ricardo Q. Gouvêa, Elienai Cabral Jr., Paulo Brabo, Rubinho Osório, Lou Mello, Ricardo Gondim, Nelson Costa e Roger Brand dentre tantos outros. 

Servindo de orientação para uma linha de ideias relativamente novas e revolucionárias para a sua época, seus autores advogavam justamente a tese de que não havia nenhuma linha nova de ideias e que, eles mesmos, não eram orientadores de nada.

Os representantes daquela corrente de opinião insistiam em bater na tecla de que havia algo de errado com o cristianismo vivido no final do milênio passado (uma era de transição entre a modernidade e a pós-modernidade). As lógicas internas do paradigma evangelical brasileiro, da primeira década deste milênio, sopravam ventos institucionais muito rígidos, pois estavam amarradas aos ditames do sistema capitalista norte americano com seu consumismo maluco e a teologia (ideologia) que brotava deste solo competitivo, coorporativo e triunfalista.

O movimento em si não foi um movimento cismático mas de abandono. Abandono de lógicas e dogmas aprisionadores, em prol de uma liberdade mais individual (ou monástica), mas nem por isso, menos coletiva.

A teologia adotada de contornos mais literário e narrativo veio primeiramente complementando, depois embarcando e por fim suplantando a racionalidade do modernismo.

O abandono até mesmo, por muitos, da instituição “igreja” (como era então compreendida) não significou contudo o desleixo com tradições (a por G.K. Cherteston dita: voz democrática das gerações passadas), mas sim, a troca dos confortos da igreja formal e suas tradições (meramente de homens) pelo terreno não-mapeado do cristianismo secular.

O nome “Capa Encardida”, comumente interpretado de forma pejorativa e depreciativa pelos opositores do Movimento,  derivou da (arte gráfica e) cor da capa dos livros de alguns dos principais de seus autores.

“Heresias novas são na verdade tradições muito antigas” - Pablo Brabo