Cultuando o Inferno






"Ubi dubium ibi libertas" (Onde há dúvida, há liberdade) Provérbio latino.

Não se sabe quando teve inicio a idéia de um local de castigo aos maus, mas é certo que assírios e babilônicos já desejavam a qualquer custo afastar o mal e viver dias felizes, pois no mundo da morte, imaginavam, a desolação imperava. Os egípcios acreditavam que o condenado pelo julgamento do deus Osíris, seria devorado por Amut, uma divindade monstruosa.

O Tártaro, para os gregos, era a prisão e local dos castigos às almas pecadoras. Diferenciava-se do Hades, lugar onde ficavam aqueles que morriam, até a chegada da ressurreição. Só mais tarde é que o Hades foi traduzido erroneamente como lugar de tormento e castigo.Os textos bíblicos antigos se referem ao Sheol, como um lugar de inexistência e inconsciência, não de tortura. O conceito de castigo aos maus, que é dado pela palavra Inferno, só entra na teologia judaica após Israel ter sido dominado pelos persas, onde os ensinamentos de Zoroastro vão se tornar populares entre os judeus.

A doutrina cristã, fortemente influenciada pela mitologia “pagã”, irá desenvolver sua idéia de Inferno, até torná-lo um lugar de fogo e sofrimento. Mas no princípio muitos cristãos olhavam o Inferno como um lugar em que a alma permaneceria até a ressurreição, saindo depois para a vida eterna ao lado de Deus.

Afirmar que não existe castigo após a morte, é um “Inferno” para muitos religiosos. Com essa ameaça por perto, eles podem intimidar os fiéis a não cair na tentação de transar antes do casamento e nem usar camisinha. E as devotas, intimidadas pelo possível encontro com o capeta, se comportarão melhor e não cometerão a insanidade de usar saias acima dos joelhos...

É certo que muitos cristãos já descobriram que se trata de uma linguagem figurada, no entanto, grande parte crê na forma literal como é descrito o Inferno. Cá entre nós, é uma tremenda maldade infligir medo com essa fantasia, que nem muitos teólogos modernos acreditam mais. Castigo após a morte é totalmente incompatível com um Deus bom e sábio. Sendo presciente, Ele saberia quem seria condenado.

Um pai que ama seu filho, fará de tudo para livrá-lo do sofrimento, quanto mais Deus, que pensamos, seja uma Inteligência infinita de bondade e amor. Parece que seria bastante injusto punir alguém que nem pediu para nascer, e que viverá em média 80 anos, com uma prisão eterna. Duvide...e liberte-se.