Humanos, demasiadamente humanos







Aqui eu faço coro com o filosofo cristão dinamarquês: Sören Kierkegaard em seu entusiasmo ao velho testamento, em contraposição ao cristianismo, pois ali os seus principais personagens eram humanos demasiadamente humanos. Eles amavam intensamente os seus, odiavam seus inimigos; iravam-se, matavam e lutavam bravamente nas guerras; bebiam e dançavam em suas alegrias. Apaixonavam-se pelas suas mulheres, traiam, adulteravam e se arrependiam. E que mesmo assim sendo conscientes de serem carne e pó, se opunham corajosamente aos poderosos opressores e defendiam virilmente o direito do pobre e oprimido e a dignidade de sua nação.


Neles não avia afetações de espiritualidade platônicas, não existiam sacrifícios de autonegação estóica da sua natureza humana, ou depressão por uma vida religiosa desejosa por experiências sobrenaturais. Antes intensidade de sentimentos humanos universais onde o errado não erra a satisfação autêntica dos seus instintos poderosos de: guerra, poder, sexo, amor e honra, mas falta de integridade da verdade interior para com o Criador e seus semelhantes. Pois espiritualidade era a vivencia da mais pura humanidade dos princípios de seus sentimentos morais, nobres e aristocráticos.


Homens que eram leais as suas alianças de amizade, que falavam a verdade para não lesar o próximo, quando não mentiam covardemente em sua própria defesa; que se enfureciam com todo sentimento perverso e mesquinho de gente sem caráter e inteireza de coração. Mas ainda deste modo: homens que amaram a Deus, que com Ele lutaram e foram vencedores. Homens sem o anseio sobrenatural místico e contemporâneo de buscar a Deus. Pois foram encontrados por Ele, e com Deus andaram satisfeitos de terem sobre si a sensação real de Sua face sobre eles.


Em fim: eles eram humanos, diferente da neurose da batalha espiritual proporcionada principalmente a começar pela influência do estoicismo e gnosticismo helenístico nos primeiros cristão. Posto que o que foi produzido depois foram homens insatisfeitos e deprimidos por almejarem uma espiritualidade estável, dinâmica e gradativa, mas irreal. No entanto os antigos não se preocupavam em buscar a santidade ou em serem espirituais como hoje se ambicionam, mas apenas e simplesmente em serem honestos, pois o que valia naqueles tempos era a integridade da conduta de um homem, e não a sua castidade ou capacidade de autonegação e profundidade espiritual. E por serem tão autenticamente humanos foram considerados e chamados de santos pelas escrituras.