Eu não posso imaginar o que seria da minha vida sem Deus!






O título desta postagem é algo que ouvimos com certa freqüência de pessoas religiosas. Eles acreditam que a vida religiosa é a melhor maneira de se viver e não entendem como alguém em sã consciência pode conseguir viver sem Deus. Para eles a vida sem Deus não faz o menor sentido, pois é triste e deprimente.

Na ótica daquele que crê em Deus, um ateu não passa de um louco transviado que deve amargar a mais miserável de todas as formas de viver. Não é para menos que ateus como o Dr. Drauzio Varella precisem às vezes fazer certos desabafos como o que se segue:

"Não sou religioso. Respeito todas as crenças, mas os religiosos não têm nenhum respeito pelas pessoas sem fé. Quando digo que não tenho religião, acham que sou imoral. É como se eu tivesse parte com o diabo".

Muito embora os religiosos estejam convictos da impossibilidade de se viver de forma plena sem a crença em uma divindade qualquer (na verdade não é bem "uma divindade qualquer", pois cada um tem a sua como referencial de verdade), será que do ponto de vista dos ateus existiria algum tipo de vantagem em se viver sem crer em um Deus?

Os ateus entendem que sim! E como exemplo de uma destas vantagens eles mencionam o fato de poder tomar decisões baseados num contexto específico sem estar limitado à visão dogmática de uma divindade específica.

Vamos entender um pouco melhor isto fazendo uma simples pergunta: Em que circunstância seria correto mentir? A maioria dos religiosos, baseado nos preceitos do seu Deus, responderia: "Nunca!"

Para um religioso, especialmente os fundamentalistas, a mentira é algo condenável por Deus em qualquer circunstância. A Bíblia cristã, por exemplo, está repleta de exemplos e admoestações contra a mentira. Porém, para alguém que não está preso aos ditames de uma divindade, a mentira pode não ser algo condenável dependendo das circunstâncias envolvidas.

Vamos imaginar que você estivesse vivendo no tempo da 2ª guerra mundial em algum país da Europa ocupado por tropas nazistas, e estivesse escondendo em sua casa uma família de judeus. Se soldados de Hitler chegassem até a sua porta e te perguntassem se você estava abrigando judeus, seria correto mentir?

Nestas circunstâncias qual seria a decisão moral mais apropriada? Salvar vidas das mãos de um ditador tirano e cruel ou entregá-las a sua própria sorte só para não quebrar a lei do seu Deus?

Nestas circunstâncias um ateu que estivesse disposto a proteger a vida daquela família, mentiria prontamente sem o menor peso na consciência. Os ateus estão livres para fazer o que é certo para a humanidade ao invés de estarem presos à ótica forçada de fazer o que é correto para agradar a uma divindade.

Mas isto pode parecer tremendamente subversivo para a mentalidade religiosa que imediatamente irá extrapolar este relativismo para questões extremadas como, por exemplo, roubar, adulterar ou matar.

Na próxima postagem eu falarei mais sobre isto.