Deus e a genética






O povo grego acreditava que Zeus, zangado com Prometeu, por ter dado o fogo aos homens, enviou Pandora para a Terra, com uma caixa que posteriormente foi aberta, despejando todos os males pelo mundo. Nos mitos que tentam explicar o sofrimento humano geralmente a culpada é a mulher. Se os mitos fossem escritos por mulheres a versão seria outra.

No mito bíblico, Eva oferece o fruto proibido ao companheiro. Esse ato fez com que Deus os expulsasse do Paraíso gerando os tormentos no mundo. 

De posse do Livre Arbítrio, o homem escolheu pecar, daí o sofrimento ter se espalhado pelo mundo, como vingança divina, tal qual a lenda grega. Mas em que sentido se fala em “livre arbítrio”?

Embora tal expressão não apareça na Bíblia, religiosos encontram em Gênesis capítulo três, indicações de que Deus deu ao homem o poder de escolher entre o bem e o mal, em seguir Deus ou desprezá-lo.

Teólogos tentaram livrar a culpa de Deus pelos males no mundo. Disseram que Deus deu liberdade ao casal de escolher entre obedecê-lo ou não; portanto, foi pela desobediência de apenas duas pessoas que a humanidade tem sofrido até hoje com guerras, doenças, crianças nascendo mortas, deficientes, etc.

Mas, será mesmo que temos Livre Arbítrio? Que temos poder de escolher entre uma coisa e outra? Você acha que temos livre escolha de decidir em que lar vamos nascer, que pais teremos e em que corpo nasceremos? Se você tivesse poder de decisão, talvez pediria para nascer novamente na mesma família, mas se pudesse, não pediria para nascer num corpo melhor, mais saudável e com uma inteligência de Einstein, ou pelo menos um Q.I. melhor? Para a ciência, essa história de que Deus deu o livre arbítrio não funciona. Talvez nem mais tarde temos totalmente o livre arbítrio.

Por que digo isso? Estudiosos têm demonstrado que a genética tem grande peso sobre nossas decisões. Características como a agressividade, timidez, depressão, sensualidade, homossexualidade, etc., são determinadas em grande parte pelos nossos genes.

De modo que um sujeito muitas vezes tem personalidade agressiva não porque desejou ser assim, mas porque sua carga genética trabalhou para que fosse assim. Muitas vezes nossa orientação sexual é determinada pelos genes e não porque escolhemos ser hétero ou homossexual.

Descobertas do biólogo molecular Dean Hamer (EUA) dão uma nova dimensão ao estudo do comportamento humano, colocando a influência genética ao lado de fatores já conhecidos como o ambiente e as relações pessoais.

A ciência prova que uns nascem com constituição genética mais propensa a ser depressivo, agressivo, tímido, enquanto outros auxiliados pela genética serão mais sadios física e psiquicamente, calmos ou ousados. Nem sempre é questão de livre escolha.

Mas a ciência dá um conforto a quem não foi ajudado pela genética:

Hamer afirma em seu livro Vivendo com Nossos Genes (Doubleday, 1998): “Cada vez que usamos a vontade, reprogramamos o cérebro para superar as tendências inatas”. De modo que se você se sente mal por ser pavio curto, tímido ou desleixado e coloca a culpa na hereditariedade, saiba que você pode alterar esse quadro, e viver mais feliz.