O último biscoito do pacote




 O povo preferido de Deus




Para entendermos a origem da disputa sobre qual religião tem o Deus de verdade, devemos fazer antes uma pergunta: o que motivou a crença em Deus?

Uma explicação aceita por muitos estudiosos é dada por Sigmund Freud, pai da psicanálise: “A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protetor e imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e sofrimento da existência humana.”

Há uma teoria que aponta que a ignorância do homem primitivo levou-o a acreditar que espíritos invisíveis eram os responsáveis por tudo a sua volta: raios, enchentes, doenças, nascimento de um bebê, etc.

Nosso ancestral acreditava que o chefe do bando (o pai do clã) morto continuaria a vigiá-los mesmo depois de deixar essa vida, em forma de espírito, premiando-os (boa caçada, saúde) ou punindo-os (enchentes, doenças). A aparição do chefe recém morto nos sonhos dos membros da tribo era prova cabal de que ele continuava a manter contato com eles.

Podemos imaginar que grupos bem sucedidos nos confrontos com tribos rivais acreditassem que a vitória era devido à proteção do pai.

Essa certeza de que o pai, agora transformado em deus prefere uns e desfavorece outros ficará no psiquismo do ser humano de tal maneira que muitos povos da Antiguidade se denominaram os escolhidos de um deus, tais como os sumérios, babilônicos, gregos, chineses, romanos, etc.

Quando esses povos “eleitos” eram vencidos nas batalhas, dizia-se que deus os haviam abandonado.

No entanto, a crença que meu Deus é o único e verdadeiro e me adotou como povo preferido para servir de exemplo, se perpetuou nas principais religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Como vemos, a velha crença de que Deus - o pai morto da tribo - nos observa e tem preferência por um povo não se desmantelou apesar de toda a contribuição da Ciência.

É que a maioria é bombardeada com o discurso religioso desde a infância, e, como sabemos, a fé religiosa não tolera outra opinião e luta bravamente contra qualquer ameaça de crítica.