Javé e Jesus – por que são tão diferentes?






Há duas grandes dificuldades na teologia cristã que não foram bem explicadas até hoje. A primeira e mais importante é a questão do inferno. Se Deus é bom, por que permitiria a existência desse local terrível? Entenda como esse mito foi gerado lendo meu artigo O CASTIGO ETERNO no link: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/646493

Outro artigo que fará você ver esse dogma cristão de outro modo é QUEM FOI JESUS, o que disse e o que foi manipulado em seu discurso: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2773299

O segundo problema é a forte diferença entre Javé (ou Jeová), o deus do Antigo Testamento, e o Deus Pai do Novo Testamento. Segundo a teologia cristã, Jesus é filho de Deus e Deus ao mesmo tempo. Isso quer dizer que se ele é Deus, Javé e Jesus são as mesmas entidades. Mas por que Javé é um Deus tão diferente do Deus dos evangelhos se nos dizem que são um só? Vamos visualizar alguns traços da personalidade de Javé, para lembrarmos como era Deus no tempo de Noé, Abraão e Moisés.

Ciumento: Proíbe que os hebreus adorem outros deuses (Êxodo 20,5). Ele manda apedrejar até a morte quem segue outra divindade, isto é, tem outra religião (Números 25,1).

Cruel: manda cortar a mão da mulher que defende o marido numa briga “sem compaixão alguma” (Deuteronômio 25,11).
 
Preconceituoso: não permite que os deficientes físicos se aproximem do altar ou entrem em seu santuário (Levítico 21,16).

Homofóbico: manda matar homossexuais (Levítico 20,13)
 
Misógino (horror à mulher): manda matar a noiva que não preservar a virgindade até o casamento. O homem não virgem não era punido (Deuteronômio 22,20).

Assassino: Javé é o autor do maior número de assassinatos na Bíblia. Supera de longe o exército de Moisés e de Davi. Confira em http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2027059.


Em defesa de Javé


O argumento mais comum utilizado para defender as ações sanguinárias do deus Javé, é que Deus precisou ser duro e coibir com a pena de morte certos comportamentos não desejáveis. Por exemplo:

Adorar outros deuses, já que Javé era um deus ciumento, mimado, ególatra, e queria presentes só pra ele;

Ajuntar lenha no sábado, e acender fogo para preparar uma refeição, mesmo que um filho clamasse por comida, poderia ofender gravemente o Senhor Javé. Do mesmo modo, seria agravo terrível a Deus, uma mulher não guardar-se virgem para o futuro marido. Javé odiava sexo. E permitia relações somente para procriação.

Sobre as ações truculentas do exército de Moisés, que matava não só adultos mas também crianças de colo, decepando-lhes as cabeças, os apologistas bíblicos alegam que se Deus criou, tem o direito de matar quem não o venera. Sinceramente, esse argumento não me convence. Mas vamos em frente.

Ensinam os teólogos cristãos, que Deus nos ama tanto (apesar de afogar criancinhas em um dilúvio e autorizar seu exército enforcar, empalar, e furar com lanças quem não quisesse segui-lo), que vendo que o povo não se endireitava, enviou seu filho, seu único filho para nos salvar. Com a vinda de Jesus, segundo os teólogos cristãos, a lei dura do passado perdeu espaço para a fé, de modo que basta aceitar Cristo que a salvação está garantida. Será verdade? Não!  Por que nas palavras do próprio Jesus:

“Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. ...Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.” (Mateus 5,17).

E o profeta Isaías, um dos mais importantes da Bíblia, garantiu que “A lei é pra sempre”(Isaías 40,8).

Portanto, segundo as escrituras, é mentira que a lei não vigora mais, de sorte que se os cristãos fossem verdadeiros seguidores da palavra do deus da Bíblia, ainda estariam observando aquelas leis e vendendo suas filhas como escravas, matando filhos desobedientes, e a Igreja ainda estaria matando astrólogos, homossexuais, adúlteros, etc., conforme pede a Bíblia. Por que então a Igreja não tem mais poder para mandar para a fogueira os hereges (aqueles que não seguem a Bíblia ou crêem na divindade de Jesus)?

Graças à Revolução Francesa (1789), entre outros fatores, o estado separou-se da Igreja (o povo não agüentava mais a tirania dos nobres e padres), e, pelo menos no mundo ocidental, a Igreja já não pode usar a Lei de Moisés para matar ninguém, como acontecera durante a Santa Inquisição.


Agora, veremos a personalidade de Jesus


Pacifista:  pede que se ofereça a outra face a quem lhe bater (Mateus 5,39).

Amoroso: pede que todos amem como ele nos amou (João 13,34)

Compreensivo: perdoou a mulher adúltera (João 8,1)

Inseguro (teve medo da morte): “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mateus 26,39). E na cruz perguntou  “Meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27,46).


Talvez o leitor esteja impressionado e confuso. Como Jesus, que supostamente é Deus, teve medo da morte? Por que Jesus pensou ter sido abandonado por Deus, se ele próprio é Deus? E, finalmente, por que Jesus que sempre imaginamos ser de uma bondade irretocável, era a favor da lei de Moisés? Seria ele a favor do “olho por olho dente por dente”? Das chicotadas, do enforcamento de adúlteros, do assassinato de moças cujo único “pecado” era não ter guardado a virgindade para o noivo?

Não se aflija. Muitos estudiosos que pesquisam a Bíblia padecem dessas incertezas no início. O problema é que a Bíblia é um livro contraditório. Ao mesmo tempo em que o Messias assegura que não veio para invalidar a lei, ele, num ato de coragem e humanismo, impede o apedrejamento da mulher adúltera como previa a lei mosaica,  numa clara demonstração de que ele não considerava a lei perfeita.

Seria Jesus um Messias confuso, que ora dizia uma coisa ora outra, ou suas palavras foram retocadas e manipuladas mais tarde, assegurando interesses dos sacerdotes e papas?

Eis a grande verdade, que não querem que você saiba, pois isso significaria perda de poder das Igrejas: Jesus foi um profeta, como tantos que havia em seu tempo. Não era um deus, mas humano, como eu e você. Sua biografia foi copiada dos deuses romanos, que via de regra, nasciam de uma virgem fecundada por um deus, faziam milagres, ressuscitavam e subiam aos céus. Sem esse caráter de deus salvador, Jesus não teria ganho simpatia de Roma e jamais o cristianismo teria chegado à religião oficial do Império Romano.

Com esse artigo, não quis retirar sua crença em Deus, que não tem nada a ver com esses deuses atormentados, mimados, que exigem culto exclusivo de livros ditos sagrados.

Apenas tentei trazer a você um conhecimento que apenas os especialistas bíblicos independentes (e os amadores, como eu) possuem. Se obtive êxito, o leitor cristão entenderá que tudo que ele aprendeu como pecado, não foi Deus quem determinou como sendo pecado, mas os homens que escreveram as escrituras, baseados em seus próprios critérios de pecado. Nenhum livro sagrado foi orientado por um ser sobrenatural.

Então posso fazer o que bem quiser? Não. Claro que não. Use o bom senso e a razão, e saberá o que você deve ou não fazer. O resultado de suas ações você verá aqui na terra mesmo.