Rogai por nós!



A única certeza que se tem em matéria de fé, são frágeis e sinceras suposições




Nossa Senhora em suas manifestações, geralmente adota a fisionomia do povo do país ou do lugar onde ela se manifesta. No México, deixou sua imagem impressa no manto do índio Juan Diego e ao contemplar sua imagem é interessante observar os traços indígenas de seu rosto. Em Lourdes, na França, a Virgem Imaculada Conceição dirigiu-se a Bernadete no dialeto falado naquela região dos Pirineus.

Em Aparecida, Maria se deixa encontrar nas águas do rio Paraíba do Sul por três pescadores, em 1717, período em que no Brasil Colônia vigorava o regime de escravidão. Ao apanharem em suas redes uma imagem partida – corpo e cabeça – enegrecida por causa da água do rio e das velas acesas em sua honra, os três homens viram no acontecimento uma ajuda especial para a pesca abundante, após várias tentativas em vão.

Entre os muitos milagres atribuídos à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, é muito conhecido o do escravo liberto das correntes que o prendiam enquanto, de joelhos, invocava a Virgem Maria.

Mais tarde, alguns pregadores interpretaram esse prodígio como uma manifestação da solidariedade da Virgem Maria, em especial, com seus filhos feridos em sua dignidade humana e um sinal de sua ajuda na luta pela defesa de sua libertação.

Aquela imagem pequenina despojada de tudo, foi aos poucos se tornando  objeto de especial veneração do povo brasileiro. Os devotos logo a cobriram com um manto da cor do céu brasileiro e a cingiram com uma coroa, reconhecendo-a como rainha – a servidora do povo junto de Deus.

Em 1904, no dia 08 de setembro, o Papa Pio X, traduzindo o sentimento do povo e atendendo ao pedido de Dom Joaquim Arcoverde, feito em nome do episcopado brasileiro, autorizou, como era usual na Igreja para imagens e quadros insignes, a coroação solene da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

No dia 17 de julho de 1930, o Papa Pio XI, atendendo ao pedido dos Bispos brasileiros, assinou o Decreto de Proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

Em 1931, no dia 16 de julho, na então Capital do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, o Presidente da República, o senhor Getúlio Vargas, acompanhado de todo o seu Ministério, autoridades diplomáticas, civis, militares e eclesiásticas e de uma grande multidão de fiéis, comemoraram solenemente Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Maria é venerada e amada pelo povo brasileiro, de norte a sul, de leste a oeste e invocada com os mais variados títulos, sendo o título de Nossa Senhora Aparecida – que o povo lhe deu espontaneamente – o mais querido e invocado com mais carinho.

Outros países do mundo – e até mesmo Continentes – tem seu padroeiro. A Igreja proclamou Santa Joana D’Arc, padroeira de França; São Tiago, padroeiro da Espanha. O Papa Pio X declarou Nossa Senhora de Guadalupe “Celestial Padroeira da América Latina”. Paulo VI proclamou São Bento padroeiro da Europa e João Paulo II acrescentou São Cirilo e Metódio, Santa Brígida da Suécia, Santa Catarina de Sena e Santa Edith Stein.

Porque o Brasil, o país mais católico da atualidade não tem direito de ter sua padroeira?

Nossa Senhora Aparecida tem sido, para muitos de nosso povo, inspiração de um estilo de vida solidária, fraterna, de atenção e acolhida ao outro, especialmente, aos mais pobres. Sua presença e devoção têm sido um elo de união e de integração entre todas as etnias, e nunca de divisão.

Esporadicamente, aparecem oportunistas e com interesses escusos, questionando o título de “Padroeira do Brasil”, dado pela Igreja a Nossa Senhora Aparecida e acolhido calorosamente pelo povo brasileiro. A iniciativa de propor à Câmara Federal retirar este título é descabida, pois não foi ela quem o outorgou a Nossa Senhora Aparecida, além de tal proposta ofender o sentimento religioso do povo brasileiro, e em nada contribuir para tornar melhor a vida de nosso povo; antes muito pelo contrario, Nossa Senhora Aparecida é a Rainha e a Padroeira do Brasil por  proclamação da Igreja e do povo brasileiro!