Sonhar, Sorrir & Servir



 


A vida não vem acompanhada de manual de instruções ou apólice de seguro. Ela não faz sentido a menos que você aprenda a morrer todos os dias da melhor maneira possível consciente de sua finitude e de sua contribuição para melhor junto a outros seres nesse hiato de tempo.

Somos especialistas na arte de “complexificação” quando na verdade o que mais necessitamos é de simplicidade na leitura, interpretação e atuação para com os afetos e desafetos do existir.

A consciência dessa realidade nos propõe três elementos básicos, mas essenciais para quem deseja fazer seu dia-a-dia valer a pena sem exagerada expectativa ou desiludida apatia:


Sonhar – Sem sonho a vida não se movimenta. É a disposição mental e espiritual que nos impulsiona para novos desafios. O sonho é contraditoriamente a real ilusão que alimenta nossa sede de sair do ostracismo existencial para trafegar na avenida das possibilidades. Foi ele que motivou as relevantes descobertas e conquistas que fizeram da humanidade um ambiente suportável e digna de investimento. É ele que pinça do interior do ser humano a criatividade que é resultado de uma saudável insatisfação com a face sisuda da situação. Uma pessoa que não consegue desenvolver a capacidade de sonhar vive na companhia do eterno protelar. Como bem filosofou Jung: “Os sonhos são as manifestações não falsificadas da atividade criativa inconsciente”. Sem sonho, a vida é somente um exercício enfadonho de sobrevivência.


Sorrir – O sorriso é muito mais que um exercício facial, está além de uma resposta emotiva a algo engraçado que se vê ou que se ouve, é um estado de espírito, é a atitude da pessoa que mesmo em meio às truculências da vida sabe discernir e extrair algo belo do privilégio de existir. O sorriso contraria até mesmo as mais nebulosas previsões de fracasso. Ele integra em perfeita harmonia as indigestas cruezas da vida e os nobres e legítimos desejos de mudança. O sorriso tem a capacidade de iluminar a estrada da incerteza, ele tem o poder de contagiar a lógica sem se descuidar do que é real. O sorriso desafia o improvável porque aprendeu a transcender o que é transitório. Sorrir faz bem não somente para a estética, mas essencialmente para com o diálogo com a vida.


Servir – Engana-se quem almeja ter o mundo aos seus pés como sinônimo de felicidade, antes, é preciso lavar a poeira e curar as feridas dos que andam descalços para que se tenha a dimensão exata da co-partipação e dependência mútua no palco da vida. Só consegue perceber o sentido de tudo quem consegue perceber o outro. Não existe plenitude sem ser sensível a solicitude alheia. O egoísmo umbilical neutraliza a alegria de poder ver a felicidade no rosto a quem se faz o bem. Não é mera barganha de favores, e sim, a humanização do que está posto como desumano por natureza. O ser humano só se completa quando percebe que é o elemento de completude na vida do próximo. Servir é despojar-se de garantias, é despir-se de direitos, é desdenhar da própria reputação para doar-se gratuita e graciosamente na vida dos que necessitam.


Os valores que dignificam uma existência não podem ser mensuráveis, mas podem ser verificados na simplicidade, integridade e intensidade com que se manifestam os sentimentos pessoais e inter-pessoais nas casualidades e improbabilidades do cotidiano de cada ser que fez de sua existência um modelo a ser inspirado pela veracidade com que experimenta o sopro de vida.




Celebrando o 3° ano de uma 4ª década de erros, acertos, incertezas e centelhas de esperança e felicidade...