Dúvidas de um precipiante





Quando o assunto é céu ou inferno, uma coisa que devemos considerar é que este conceito existe porque seguimos uma religião dualística. E dentro desse arcabouço cremos que se você fizer o Bem, seguir todas as regras e ser obediente, for moralmente ilibado, (conceito meritório) terá seu lugar garantido no céu. Mas se você praticar o mal, estará imediatamente sujeito às torturas medievais brutais do Inferno. Mas aí reside um outro problema: como todos os seres humanos são ambíguos por natureza, pode existir pessoas que sejam completamente boas ou completamente más? A resposta é não! Todos temos nossa parcela de Bem e Mal que fizemos ao longo dos anos. E como não podemos inferir que exista uma forma de estabelecer os fatores quantitativo e qualitativo dos pecados da humanidade, logo, qualquer método de seleção utilizado para estar aqui ou ali, sugere acepção e pura especulação.

Mas alguém poderia replicar: “somos pecadores arrependidos que tivemos nossos pecados perdoados ao aceitar Jesus”! Muito bem. Então qual será o malabarismo necessário para explicar qual será o destino daqueles que nunca ouviram falar de Jesus, mas que são pecadores tanto quanto nós? Pois sendo Deus, o justo juiz, não seria incoerente ao ponto de condenar alguém por não segui-lo, visto que ele nem sequer sabia da sua existência?





"Em Deus todo homem é alvo inerrante de Sua eterna Graça, no homem ela foi patenteada pelos trâmites de uma vida sacra"

"Nada me intriga e incomoda tanto nas expressões religiosas como o sentimento de exclusividade e a capacidade de exclusão latente no inconsciente coletivo que tem como premissa a salvação e o bem estar do semelhante. No mínimo contraditório..."

“Perder a alma está na direção oposta de uma projeção futura, é não permitir no presente que a calamidade não nos assombre, a dor não nos doa e o olhar do desespero não nos desespere”



Em Fragmentos de um Desviado