O Deus de Descartes é a garantia da objetividade







Com a demonstração da existência de Deus e do seu atributo de veracidade, as regras do método encontraram a sua confirmação definitiva... Deus, não sendo enganador, não me envia essas idéias imediatamente, nem sequer por meio de qualquer criatura que não as contenha realmente. Ele infundiu-me uma forte inclinação para crer que elas me são enviadas por coisas corpóreas e por isso enganar-me ia se elas fossem produzidas por outro. (Bréhier, 1977; p. 57).

Esta citação justifica o título desta parte do texto, ou seja, que o Deus de Descartes é a garantia da objetividade; mas por quê?

Pois enquanto um bom Deus ele não vai me impedir que conheça as coisas. A existência do Deus derruba o gênio embusteiro. Mas como se dar a prova do mundo?

Concebo, digo, facilmente que a imaginação pode realizar-se dessa maneira, se é verdade que há corpos; e, uma vez que não posso encontrar nenhuma outra via para mostrar como ela se realiza, conjecturo daí provavelmente que os há. (Descartes, 1973b; p. 139)

Há no espírito uma faculdade passiva, que senti que recebe das coisas sensíveis algumas idéias, como cadeira, mesa etc. Além do que há também uma outra faculdade, que é a ativa, esta por sua vez forma e produz as idéias (imaginação),  no entanto, essa faculdade não vem do espírito, da res cogitans, visto que a essa substância se atribui o pensamento, já as idéias de cadeira, mesa, produzidas por esta faculdade ativa, não poderá vir de mim, mais sim de uma outra substancia, até porque as idéias que me são enviadas por ela muitas das vezes é sem que haja minha participação consciente. Sendo assim essa substancia só pode ser, ou Deus, ou um corpo; Deus não é certamente, haja visto que o mesmo não me envia tais idéias, pois ele não é um enganador. Assim cabe admitir que existe uma substância diversa, diferente do cogito e de Deus e que possui grandeza, movimento e outras qualidades tais cheiro, sabor e cor.

Também se Deus existe e ele é bom, como fora provado, a imagem que o homem faz do mundo não pode ser ilusão, mas sim um mal direcionamento da sua razão, o direcionamento correto da razão, o método preciso tende a levar o homem a verdade, ao conhecimento, claro e certo.

Atingido os pilares da filosofia, cabe ao homem fazer agora ciência para bem viver.


Referências

ABBAGNANO, N. História da Filosofia Vol. VI. São Paulo: Editora Presença.

BRÉHIER, E. Historia da Filosofia. São Paulo: Editora Mestre Jou.

DESCARTES, R. Carta. In Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1973c.

Discurso do Método. In Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1973a.

Meditações. In Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1973b