Uma visão psicanalítica sobre o dilema primitivo de recompensa






O psicanalista e teólogo Rubens Alves, certa vez, respondendo a fatídica pergunta , se acreditava em Deus, nada pode dizer. Para ele o “problema estaria nesse verbo simples cujo sentido todo mundo pensa entender e acreditar.

Para Freud, a palavra Deus remete a figura paterna que premiava o filhinho pelas boas ações e castigava pelas más. Para ele, o Deus do crente não passa de um a projeção dos seus desejos de amparo, de medo ante um Pai imaginário que pode castigar com o MAL e premiar com o BEM.

O fato é que não se pode negar que o conjunto de nossos afetos e de nossas “ligações e re-ligações” conserva em si mesmo alguma coisa desse éden em que vivíamos quando criança. A saudade desse tempo, nada mais é que um pequeno afluente de um Rio, que quase não nos lembramos mais. De certa forma, é sobre esse nosso passado que se edifica o presente.

As recordações das angústias primitivas se vêem refletidas no existencialista que, hoje, se encontra só e desamparado.

Sobre a emblemática frase: “Como alguém pode crer e adorar um Deus assim, fico com o Rubens Alves, que fugia do lugar comum de definir Deus, porque no fundo sabia que uma ligação primitiva de caráter afetivo sempre permanece em nós, agora adultos, e é expressada conforme a cultura em que o sujeito encontra-se inserido.

Guardo comigo um trecho poético e psicanaliticamente perfeito do Rubens:

"Somos donos de nossos atos,
Mas não somos donos de nossos sentimentos:
Somos culpados pelo que fazemos,
Mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
Não podemos prometer sentimentos...
Atos são pássaros engaiolados,
Sentimentos são pássaros em voo".


Comentário feito pelo Levi Bronzeado em respaldo ao texto (A Ordem Moral) do Eduardo Medeiros na Cronfraria Teológica Logos & Mythos