Vamos fugir deste lugar, baby





"A vida de ressurreição que vocês receberam de Deus não é vazia. Nela há uma constante expectativa de aventura, que como uma criança, sempre pergunta para Deus: "E agora Papai, o que faremos?" Romanos 8:15, Bíblia em Linguagem Contemporânea

Hoje eu me dei conta de que sou uma dependente química.

Sim, você leu certo. Não funciono sem uma substância em particular. Quando fico sem ela, sofro de abstinências terríveis. Choro à toa, fico irritadiça, perco a motivação pra tudo. É, sou uma dependente química. E a marvada da minha vida é a tal da dopamina.

Pra quem não conhece, a dopamina é o hormônio da paixão. A paixão que faz a gente acordar feliz, queimar o coração e ficar com brilho nos olhos. Eu sou viciada em paixão.

Me dei conta disso hoje. Não sei fazer nada sem estar apaixonada. Preciso amar o que faço. E não só amar, como também sonhar com isso, pensar nisso o tempo todo. Sentir os olhos lacrimejarem e o coração arder quando falo no assunto. Eu sou dependente de paixão.

E quando me dou conta de que não estou tão apaixonada quando acho que deveria, meu segundo vício entra em ação: a fuga. Sou viciada em ir embora. Vivo fantasiando o momento em que fugirei de lugares, coisas, pessoas, situações. E tudo isso por um só motivo: sempre imagino que circunstâncias diferentes das atuais sejam melhores. E quando esse vício entra em ação, não importa pra onde ir. Só importa sair.

Só que eu estou em uma situação em que não dá pra fugir. Não dá, "porque n’Ele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1:16,17). Não dá pra resolver a minha abstinência lançando mão do segundo vício.

E aí, o que fazer?

Eu estou com saudade. Com saudade do meu Noivo. Com saudade da época em que eu deitava no colo d’Ele todos os dias, e Ele cantava para que eu dormisse. Saudade da época em que meu coração disparava a ouvir a Sua voz chamando meu nome, sabe? Não me entendam mal, ele até hoje dispararia. Mas, o problema é que eu não o ouvi mais.

A verdade é que eu queria ser totalmente d’Ele. Mas, antes, eu queria saber quem Ele é.

Sabe quando todas as convicções que você tinha sobre Deus, sobre a humanidade e sobre o modo correto de enxergar a vida e a realidade simplesmente dissolvem? Então, é bem por aí o que está acontecendo comigo...

Acontece que Deus é a Verdade. E essa Verdade é absoluta, inexorável, bela e cativante. Totalmente justa. Não precisa esforçar-se para manter-se verdadeira. E se ela não está sendo cativante, é porque tem alguma coisa errada.

A verdade é transparente, não precisa de sombras para se esconder, não precisa ser justificada nem melhorada com versões mais nobres. A verdade não ofende e está sempre em boa companhia, como da luz, do amor, da misericórdia, da justiça, que não são excludentes entre si. Por fim, ela alcançou o seu posto mais nobre quando o Filho de Deus a escolheu como parte de sua biografia: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6).

Eu acho não conheço essa Verdade. E não quero a caricatura grotesca que antes pensava que ela fosse.

Por isso, eu vou gastar cada minuto da minha vida em busca d’Ele. E tenho certeza de que essa busca será bem sucedida, porque Ele veio e morreu por isso.