Um Jesus sem glória




E se Jesus não tivesse ressuscitado? O que mudaria? Que fator altera? O que se desestrutura? Mas aqui, agora, na prática da nossa vida? A sua ressurreição está de tal forma, que é impossível tanto provar que foi um fato histórico ou provar que foi um mito formado pelo mesmo processo que envolve com o manto da superstição do povo, todo grande homem enviado por Deus. Deixando o caso para a fé individual, já que Ele não apareceu ao público, mas só aos seus discípulos.

Entretanto como todo grande líder eclesiástico com mais de vinte anos de experiência não diz toda verdade e nem desengana os fiéis de suas crendices comuns para o próprio bem deles. Quem nos garante que os apóstolos depois de anos desta experiência inolvidável com este Homem, não resolveram escrever sobre Ele de forma mítica conforme a crença do coração para preservar o espírito de sua mensagem que transcende a letra e o fato bruto e limitador?

Mudaria muito sim só para quem o ama pela sua glória e atuação sobrenatural e não pela sua graça pessoal e influencia moral. Para estes, Ele não mais atenderia a oração dos fiéis e nem sequer saberia que estes tais existem, portanto não mais curaria ninguém e não libertaria nem um oprimido de suas mazelas humanas. Seriam o fim de suas maiores e mais importantes razões de existências, já que o seu Jesus não teria mais Poder, e não estaria mais a direita de Deus intercedendo pelos seus protegidos.

No entanto quando Ele estava entre os homens, à maioria de suas ações inacreditáveis era muito mais por Ele induzir a fé das pessoas do que fruto de seu próprio poder. De fato Ele tinha sim dons inexplicáveis, mas a sua maior força era a influência moral que se derramava do seu coração voltado para Deus. Ele se sentia pleno da vida e quis deixar do seu espírito o máximo possível antes de sua morte próxima. E enquanto em vida ele realmente amou os seus até o fim.

Portanto de certa forma não mudaria para alguns, pois seu poder de influência e transformação moral por seus ensinos de vida se faz presente hoje independente de Ele estar vivo ao lado de Deus ou esperando o mesmo destino incógnito de todos. E nem uma pessoa deixaria de ser curada, pois Ele ensinou a independência e o poder da fé “se crês veras”, como ela (a fé) se manifesta em milagres sem Ele também em outras religiões. Como também nem um ser humano deixaria de ser transformado por sua história, crendo Nele pelo seu poder de influência pessoal.

Faria diferença somente para aqueles que precisam de um Jesus glorificado com Poder, Majestade e Domínio (diferente do Jesus nazareno) que os rastreiam e os protegem a cada instante deixando o resto da humanidade sem cuidado por que não aceitou  Ele em uma igreja. Para tais, que o amam pela sua posição de Deus, pelo seu status sobrenatural, faria uma diferença enorme para eles se Ele não estivesse no Trono agora.

Mas para quem se sente representado humanamente na pessoa daqueles que Ele amou profundamente enquanto vivo, e que o amam por serem tocados hoje pelo poder de sua vida, Viva na memória de seus corações, como se sentiram os discípulos, não faria diferença nenhuma, se Jesus é o Cristo glorificado da religião, ou simplesmente o filho do homem que buscou o martírio por acreditar no poder transformador de sua causa pela independência espiritual dos explorados da religião viciada em: poder, posição, endeusamento e Glória.


Escrito em trinta de setembro de dois mil e dez.