Deus não precisava do sacrifício do Filho...




Desconstruindo a dogmática cristã

Esse comentário é uma tentativa minha de reformular a dogmática cristã...

Eu considero a doutrina da Graça como a melhor concepção espiritual que qualquer religião já construiu sobre a relação Deus-homem.

Graça para mim é o seguinte: Como Deus "percebeu" que o homem não tinha jeito mesmo, que ele sempre será pecador, sempre errará o caminho mesmo quando tenta acertar, Deus resolveu nivelar todo mundo debaixo do pecado para ser benigno com todos. Com todos.

Do ponto de vista que todos são filhos de Deus, ele não quer que ninguém se perca, logo, ninguém se perderá.

Não é que ele obrigue ninguém a andar no caminho que ele escolheu, pois ninguém nunca andou no caminho que ele escolheu... até os que dizem andar nele, nele não estão , logo, Deus tem que ser justo com todos os homens; nesse sentido, o inferno é uma aberração.

Deus será compassivo com o bom e com o mau, pois essencialmente, o bom também é mau e o mau carrega em si algo de bondade.

E Deus fez isso livremente, sem precisar sacrificar seu Filho. Essa idéia de sacrifício foi herdado do Deus Jeová que você concorda não ser nada amoroso, logo, ela é equivocada.

Deus não precisava do sacrifício do Filho para ser propício aos homens.

Logo, Jesus morreu por aquilo que ele acreditava e não como um sacrifício a um Deus que precisa de sangue para aplacar sua ira, como acontecia com o Deus do AT.

Mas então, como fica o problema do mal? Deus não vai punir o mal? Se Deus irá punir o mal terá que ser algo "corretivo" e nunca um castigo "eterno", pelas razões expostas a cima.

Veja bem: a idéia desenvolvida principalmente por Paulo de que a morte de Jesus foi um holocausto que Deus precisava para reconciliar o mundo consigo mesmo é em minha opinião, uma construção teológica dele. Não vemos essa ênfase toda na idéia de sacrifício de Jesus como remissão dos pecados em outras relatos do NT como nos discursos de Pedro em Atos.

Se nós fazemos uma crítica ao deus do AT que seria uma construção dos seus autores, e isso engloba então os sacrifícios de animais para apaziguá-lo, creio que levar essa idéia primitiva de holocausto para a morte de Jesus é um erro. A idéia de que Deus exigiu um sacrifício humano-divino de Jesus é a mesma atitude primitiva do Deus do AT que precisava de sacrifícios de sangue para não castigar o penitente.

Não vejo nas narrativas dos evangelhos, Jesus dar a idéia de que sua morte seria um holocausto para Deus.

Por isso creio que a morte vicária pode ser algo a ser desconstruído na teologia cristã, pois na verdade, essa idéia foi construída um dia e teve seu valor no cristianismo primitivo.

(Faço tal exercício teológico a partir do entendimento de um Deus pessoal do Cristianismo)


Fonte: Grupo Logos & Mythos  com alguns acréscimos e supressões


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