Cristo e suas exigências sobre-humanas




Será Possível?

Disse Jesus
: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." (Mateus 5:27-28)

O sermão do monte expressa, como nenhuma outra parte neo testamentária, a essência da ética de Jesus. Contudo, em função da impraticabilidade de algumas injunções contidas nele, cristãos e não cristãos tem procurado ao longo do tempo, formas de driblar o seu sentido.

A igreja primitiva, e mais tarde particularmente Tomás de Aquino, criam que nem todos os cristãos precisam obedecer as ordens expressas no sermão. Elas são destinadas à apenas uma categoria especial de cristãos, a saber: o clero.

Alguns intérpretes afirmam se tratar de uma “ética de ínterim”. Ou seja, que tais injunções só fazem sentido, se estiver vivendo num contexto de iminente parousia. Pois somente num período de ínterim a pessoa consegue corresponder a tais expectativas.

Outros, mais individualistas, crêem que o que importa não é a obediência concreta a essas exigências, mas sim a disposição correta em seu coração. Neste aspecto as atitudes individuais são mais importantes do que os atos efetivos.

A ortodoxia do século XVII, sustentava que era impossível obedecer as exigências de Jesus contidas no sermão, mas que em seu sentido estrito não era esse o propósito delas. Segundo essa tradição, a própria irrealizabilidade dessas exigências sobre-humanas deveria, antes, expor nossa própria inadequabilidade e pecaminosidade e fazer com que colocássemos toda nossa confiança tão somente em Cristo e não em nossa própria capacidade de fazer a vontade de Deus.

Pois convenhamos. Se estas injunções forem tomadas ao pé da letra, temos que admitir que, ao longo dos séculos, muito poucos seguidores de Jesus efetivamente corresponderam à essas expectativas.