Einstein: "Aquilo em que acredito"



No ano de 1930, Einstein escreveu o ensaio "Aquilo em que acredito". Nesse ensaio, o famoso cientista descreveu sua visão sobre a finalidade da vida, sobre os ideais de bondade, beleza e verdade sem os quais sua vida seria vazia, sobre seus ideais políticos de princípios democráticos e  seu horror a qualquer forma de violência. Seu ponto de vista ético e religioso aparece nos dois trechos que se seguem:


Não tenho nenhuma crença na liberdade humana no sentido filosófico. Todos agem não apenas sob uma compulsão externa, mas também de acordo com a necessidade interna. A frase de Schopenhauer - "o homem pode fazer o que quiser, mas não querer o que quiser". - foi para mim uma verdadeira inspiração, desde a juventude; foi um consolo contínuo diante das vicissitudes da vida, as minhas e as de outrem, e uma fonte infalível de tolerância.


A mais bela experiência que podemos ter é a do mistério. Ele é a emoção fundamental que se acha no berço da verdadeira arte e da verdadeira ciência. Quem não sabe disso e já não consegue surpreender-se, já não sabe maravilhar-se, está praticamente morto e tem olhos embotados. Foi a experiência do mistério - ainda que mesclada com a do medo - que gerou a religião. Saber da existência de algo em que não podemos penetrar, perceber uma razão mais profunda e a mais radiante beleza, que só nos são acessíveis à mente em suas formas mais primitivas, esse saber e essa emoção constituem a verdadeira religiosidade; nesse sentido, e apenas nele, sou um homem profundamente religioso. Não consigo conceber um Deus que premie e castigue suas criaturas, ou que tenha uma vontade semelhante à que experimentamos em nós.

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Fonte: Einstein e a religião - Física e Teologia.
Max Jammer, Ed Contraponto