Política na Igreja NÃO!






Acredito severamente que política e o evangelho não deveriam se misturar nunca. Isso não quer dizer que o cristão deva viver alienado a política e aos políticos de nosso país. O que defendo, é que não devemos permitir que a política assuma o púlpito de nossas igrejas e vice-versa. A Igreja deve cumprir e participar de toda e qualquer obrigação imposta pelo estado, sempre.

Em toda a Bíblia não vemos nenhum exemplo de “homens de Deus” (sacerdote, profeta ou apóstolo), envolver-se de forma efetiva e voluntária com a política. Daniel foi exceção, ele era um prisioneiro do rei da Babilônia e não teve assim escolha. A essência da Igreja é na verdade, bem diferente da política. São contrárias e opostas.

Existe uma idéia, de que devemos manter uma bancada política de cristão dentro de câmaras municipais, congresso nacional, e etc., para que haja uma liderança parlamentar firme e que esses políticos venham defender os interesses da igreja e dos cristãos.

É comum também, ouvirmos falar que precisamos de políticos sérios e honestos defendendo os interesses do povo, porem quando falamos que precisamos de políticos “sérios e honestos”, o sinal vermelho deve ser aceso. Devemos perceber que algo muito errado está ocorrendo dentro da política brasileira. Ou seja, ela está em falência e se tornou motivo de piada.

A Igreja não pode se aliar a uma instituição que é motivo de piadas e até chacotas. Um líder (ministro), não deve sujeitar-se a esse papel. Deus lhe concedeu uma oportunidade primorosa e impar, dada a poucos e isso deve ser sinônimo de honra. Ele foi chamado e ordenado por Deus, com a tarefa exclusiva de discipular e pregar as boas novas através dos escritos bíblicos.

É um ledo engano acreditarmos que a Igreja tem um papel social com o mundo. Onde ela daria uma direção a toda à humanidade. Isso é um erro grosseiro de alguns, a Igreja deve direcionar seus discípulos. A Igreja deve viver pela fé e expressar o amor de Cristo sempre. Independente de momentos críticos na historia.

Sabemos que grande parte da sociedade não conhece verdadeiramente Cristo Jesus, o Cristo salvador o Cristo da Bíblia e é com esse mesmo pensamento, que entendemos que essa mesma sociedade não consegue distinguir e nem separar os papeis da Igreja e o da sociedade.

Então quando um ministro se envolve com a política, se torna em muito pouco tempo, motivo de piada assim como todos os demais, com raras exceções.

Um fato muito comum é o de que quando um líder se envolve na política, ele busca em primeiro lugar votos dentro da igreja a qual lidera e, isso pra mim é um absurdo. Hoje mesmo vi na facebook, um irmão que postou sua indignação. Relatou que no dia 14 de setembro de 2012 (sexta-feira), esteve em uma vigília onde ao chegar recebeu na portaria um panfleto político. Ele achou um pouco estranho mais continuou lá, e durante a vigília ele pôde perceber que ela fora totalmente dirigida pelo líder que é candidato a prefeito da cidade, onde o ministro candidato usou e abusou do espaço para se promover politicamente. Isso é um absurdo (não deixe que a política entre pelas portas de sua igreja).

Quando olhamos para as mazelas que o povo brasileiro passa, vemos que é um momento verdadeiramente difícil para a Igreja, mais não é o fim. Vemos classes sociais e grupos minoritários se mobilizarem em torno de alianças para derrubar preceitos bíblicos, vemos também a família sendo desfeita por conta de uma modernidade falida, depravada e corrupta.
Porem é com animo que devemos nos lembrar que a Igreja passou por inúmeras perseguições e sofrimentos ao longo da história. Ela sobreviveu exclusivamente com a sustentação do Senhor. Muitos morreram, muitos foram torturados. Ouve muito sofrimento por parte de cristãos sérios e que viviam segundo a vontade de Deus. Sendo assim, não creio que a Igreja necessite de uma base parlamentar para mantê-la viva em nosso país e até no mundo. Creio que Deus continuará a cuidar de Sua Igreja assim como sempre cuidou, Deus não precisa de nossa ajuda nesse aspecto.

É fato que existe tramitando no Congresso Nacional atualmente, uma Lei chamada de PLC 122 (Projeto de Lei da Câmara), que pode causar muitos problemas para a Igreja contemporânea. Sua autora é a ex-deputada federal Iara Bernardi. E ele foi apresentado com o objetivo de modificar leis que definem os crimes resultantes de vários tipos de discriminação e preconceito de raça ou de cor (já estou escrevendo um post específico sobre esse tema – aguardem). Entretanto, não acredito que caso esta lei venha a ser aprovada em nosso país, ela possa mudar de forma efetiva a forma de pregação do genuíno Evangelho por parte de lideres compromissados com Cristo.

Não tenho voz ativa dentro da igreja, não sou um líder (ministro), meus projetos, minhas idéias não são relevantes. Mais se puder ajudar a alguém, aí vai uma singela idéia para a igreja contemporânea: “acho que para sermos verdadeiramente relevantes é preciso em primeiro lugar rever todo e qualquer discipulado bíblico”. Esse discipulado deve deixar bem claro para os fieis, qual o papel fundamental da Igreja visto por uma cosmovisão bíblica. Esse aspecto é totalmente negligenciado hoje. Sabemos que os fieis não se interessam muito em compreender qual o papel da igreja e nem mesmo qual sua missão. Cabe aos líderes gerar esse desejo em seus corações e isso deve se tornar uma prática comum na igreja. A igreja contemporânea passou a se preocupar mais com o espiritual (profecias, línguas estranhas, consagrações, vigílias, orações intermináveis, louvorzão, etc), mais do que discipulado bíblico (ensino genuíno da Palavra de Deus, cultos litúrgicos, cultos de doutrinas e seminários).

Com a falta de um rico entendimento bíblico (base) e direção, a igreja é levada a crer que se encontra num verdadeiro caos, necessitando de ajuda e uma defesa parlamentar. Concordo até que o Brasil precise mesmo de parlamentares sérios e honestos, mais não necessariamente esses homens valorosos devam ser Ministros do Evangelho.

Passei em minha vida cristã por várias transformações, meus pensamentos ao longo dos últimos dez anos mudaram muito mesmo. Passei por um seminário nos últimos cinco anos, onde conheci e aprendi a respeitar homens de Deus com uma vida pautada na Palavra, uma vida santa e reta diante do Pai. Lideres natos e com uma capacidade de humilhar-se diante dos oráculos de Deus de forma impar.

Tenho orgulho de dizer que me formei no IBRMEC em 2011 – Instituto Bispo Roberto McAlister de Estudos Cristãos, onde o bispo Walter McAlister é o presidente e professor. Lá eu tive como professor, vários nomes de peso, onde puderam nos passar suas reais experiências vividas ao longo de suas vidas ministeriais. Posso garantir que tenho hoje, uma cabeça bem diferente da que tinha quando iniciei o curso. No inicio do seminário, no ano de 2007, eu passei por grande tribulação, quase larguei o curso, por discordar em parte de tudo que estava aprendendo naquele lugar e com a visão do bispo Walter. Agradeço a Deus por não ter largado o curso. Com o tempo comecei a compreender um pouquinho da verdadeira missão da Igreja na terra. Não aprendi tudo e nem vou aprender (nunca saberemos nem a metade de ¼ dos propósitos de Deus para a Igreja), mas pude mudar um pouco os meus conceitos.

Não tenho como passar cinco anos de convívio com esses líderes com apenas algumas linhas escritas neste post. Indico um excelente livro para quem ainda não conhece e não leu - ele trata de diversos temas sobre a igreja atual, O Fim de Uma Era - do próprio bispo Walter McAlister, inclusive fala sobre o cristão e a política.

Existe um argumento muito conhecido na igreja que deveríamos sair das quatro paredes e lutarmos por nossos valores e a ética cristã, ter uma participação mais efetiva no mundo e impor mais a vontade de Deus. Não nos calar diante desse período critico que o mundo e conseqüentemente a igreja passa, onde ouvimos muitos falar: “É mesmo o fim dos tempos!” Afinal a violência, a imoralidade, a corrupção e depravação total da raça humana parecem mesmo ter chegado aos níveis mais críticos. Essa argumentação segue na direção de que nossos filhos vivem hoje sem nenhuma perspectiva de futuro. Nossa geração pode mesmo ser a ultima a conhecer a moralidade e os bons costumes, somente sobrará à história contada em livros.

É comum vermos também a igreja se mobilizar em direção a marcar presença junto à sociedade. Usando assim, em muitos casos, os mesmos expedientes que alguns grupos minoritários usam para impor e enfiar goela abaixo do povo suas idéias e vontades. Ex: marchas e passeatas para Jesus, subir em palanques com grande concentração de pessoas, chave da cidade, etc... A Igreja não está e nem nunca esteve ameaçada, isto é um grande equivoco. A igreja não deve cair nessa armadilha, o que deve ser feito é revermos nossas prioridades e aí passarmos aos discípulos.

O povo de Israel aguardava ao longo da história, um libertador, um rei montado num cavalo branco empunhando uma espada afiada e que estivesse pronta para cortar braços, pernas e cabeças de todos os tiranos que ameaçavam o “povo de Deus” a Igreja. Na ocasião aqueles homens pensavam que seriam exterminados da face da terra e que não deixariam nenhum legado para as gerações futuras. Acreditavam que seus filhos e netos jamais conheceriam o Deus de seus pais, pois os dominadores (egípcios e depois os romanos) tentavam a todo custo, exterminar da face da terra os hebreus e israelitas.

A depravação da raça humana era total. O homossexualismo – masculino e feminino, bigamia, pedofilia, zoofilia, idolatria, os crimes contra a sociedade, o aborto e os tribunais do povo, eram todas práticas muito comuns, entre outras aberrações que me reservo a não comentar. Famílias inteiras eram dizimadas da face da terra por conta das absurdas aberrações cometidas pelas autoridades dominadoras da época. Pais de famílias pensavam e certamente diziam: “É o fim dos tempos!”

Mais o fim dos tempos não aconteceu, Deus enviou O Libertador, Seu Filho o Unigênito, Jesus Cristo. A promessa se cumpriu e Ele veio montado num jumentinho, trazendo nas mãos um ramo de palmeira. Ele pregou a paz, ensinou que devemos perdoar os que nos perseguem, dar a outra face aos que nos bofeteiam, amar os que nos odeiam. Jesus deu sua vida por muitos, sujeitando-se ao Pai. Através desse gesto humilde, Ele concedeu aos que nEle crêem a oportunidade de sermos chamados filhos do Altíssimo e, por conseguinte, recebermos o legado que o povo hebreu e os israelitas, consideravam que seria extinto pela tirania imposta pelas autoridades da época. A estes, o Senhor concede consolo e esperança do porvir. Concede também, a certeza de um futuro com Ele. Nossa nação não está nesse mundo, nosso Rei não promete descanso e paz aqui, e sim no lar celestial. Ao povo israelita que até os dias atuais, esperam pelo cristo libertador, lhes resta apenas a misericórdia de Deus.

Sendo assim, não compreendo que a política deva se misturar com a Igreja e vice-versa, nossas lideranças devem se preocupar com o discipulado e com a pregação da Palavra de Deus, a política deve ficar fora das igrejas e bem separadas, pois nossa luta não é contra carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades e contra o príncipe das travas que tenta a todo custo destruir a Igreja do Senhor em todos os lugares e em todas as épocas.

O que eu quero dizer então com tudo isso? Eu acredito que em primeiro lugar devemos compreender qual a missão da Igreja de Cristo na terra, a partir de uma cosmovisão bíblica e cristã. Aí quando compreendemos um pouquinho a cerca dessa missão, ou seja, “o propósito”, não tentaremos acrescentar a “esse propósito”, aquilo que “achamos” fazer parte dele.

É fato que ficamos infelizes com essa atitude, mas creio ser essa a vontade de Deus para nossas vidas e para Sua Igreja.