Filosofando a Philosophia - Deus em Heidegger



Ao fazer uma abordagem sobre Deus, no pensamento de Heidegger, vale destacar, antes de qualquer coisa, que este Filósofo “em determinados aspectos do seu pensar, como metafísica, não demonstra nem ateísmo e muito menos ser teísta”. Sendo assim, não é tarefa fácil discorrer acerca de Deus em Heidegger, devido à complexidade da sua linha de raciocínio, que por sinal, não é apresentada de maneira sistematizada.

Em suas reflexões a respeito do ser-aí, o ser e o sagrado, o alemão têm por objetivo elucidar o sentido da existência humana. Desta forma, o sagrado aparece no pensamento de Heidegger como que mais instrumento para refletir e esclarecer o porquê da existência do ser humano. E este sagrado por sua vez não recebe uma “conceituação” similar ao âmbito religioso. Aliás, para o pensador alemão o sagrado deixa-se conhecer no ambiente silencioso.

O ambiente silencioso é como que uma definição a “destruição” dos conceitos ou teorias presentes na sociedade acerca de Deus, pois o sagrado não pode ser capturado nas categorias lógicas. Essas categorias lógicas segundo Heidegger estão inseridas na metafísica, que de certa forma apresenta respostas definitivas ou fechadas a respeito de Deus.

Na compreensão do filósofo alemão uma abordagem do Divino nunca deve trazer um parecer decisivo pronto e inalterado. Ou seja, no pensamento sobre Deus precisa haver abertura para o novo. Além disso, a posição de Heidegger é que na própria reflexão em busca de conhecer Deus o ser humano pode se isentar do uso da linguagem representativa. Pois para ele a compreensão de Deus não se evidencia na capacidade de explicar o Divino via linguagem representativa, na qual todos têm acesso.

Este conceito contrapõe-se a teoria científica que entende que o conhecimento é legitimado no ato de poder explicar a lógica do conhecido. Daí entende-se o porquê o pensador classifica a linguagem poética como uma linguagem autêntica, até mesmo por que para ele a “essência da poesia não é obra do homem, mas sim dom do ser. Na linguagem do poeta, não é o homem que fala, e sim a própria linguagem – e, nela, o ser”.

Portanto, para Heidegger Deus só pode ser “explicado” na linguagem poética. Pois nela o homem se cala e quem fala é a própria linguagem e conseqüentemente o ser. E vale lembrar que na concepção do filósofo é no silêncio que Deus se revela.


Fonte: Existencialismo