Reaprendendo com Deus a arte de viver



Então David se levantou da terra e se lavou, e se ungiu, e mudou de vestidos, e entrou na casa do Senhor, e adorou; então veio a sua casa e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu. E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que morreu a criança, te levantaste e comeste pão. E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, e viva a criança? Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu, agora? Poderei eu fazê-la mais voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.” 2º Samuel cap. 12 vs. 20 ao 23.

De muitos amores, poucos pudores e não tão poucos rumores, ele deixava com que a leveza do momento e a alegria da celebração contagiasse não somente sua própria alma como o coração e o senso crítico gratuito daqueles que eram atraídos pelo carisma e oposição da sua presença.

Apaixonado por Deus, cúmplice da vida e um conflito para resolver: Por que as mais belas flores do seu jardim deveriam ser colhidas de forma tão cruel e hostil contra sua própria vontade? Retribuição Divina fruto de paixões e sensações proibidas... Todas?!

Logo ela que era tão bem recebida todas as manhãs, teria agora que se dar ao trabalho de apresentar-se com face carrancuda indisposta a dar resposta ao caos instalado sem permissão nem pré-disposição.

Verdade é que o aguilhão de sucessivas perdas mostrou-lhe a face aguda e desoladora daquela que até então havia sido sua fiel companheira no privilégio de experimentar e provar para si mesmo que vale a pena à aventura de estar imerso nessa fase da eternidade e ser protagonista do mais belo presente que o ser que respira possa almejar.

Em lapsos de memória ele titubeia “Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração, cada dia?

Ele se recusa! De forma alguma! Não estava na sua agenda a possibilidade de desistência.

Não faria de sua agrura transferência de causa e responsabilidade para justificar o próprio agravo, continuaria aceitando o desafio de estar sob a possibilidade do êxito e do fracasso ciente de que quando se está, se é passível de errar

Ele se nega a perder a batalha para a apatia, não deixaria de brindar com intensidade aquela que fora o palco de tantos encantos que sobrepujavam em demasia os desencantos.

Não fugiria do enfrentamento e do convite ao doloroso aprendizado sucumbindo as impermanências do que está condicionado ao que é temporal.

Buscaria com o resto de força que lhe sobrara na dor de se perceber inadequado, a esperança N’Aquele que sempre o acolhera com ternura para poder novamente sorrir e cantar: “Mas eu confio na tua benignidade: na tua salvação meu coração se alegrará. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”.