Liberdade: Um conceito utópico



A verdadeira questão não é se somos livres para fazer o que queremos, mas em primeiro lugar para querer o que queremos.

A verdadeira liberdade requer que tenhamos a capacidade categórica de querer fazer e ao mesmo tempo ser livre de se abster de querer fazer. Pois o ato e o desejo só é livre se estiver sob controle total do agente. Podemos optar por “Y” por estarmos querendo “Y”, contudo, o problema é que o próprio querer “Y” já denota tolhimento de liberdade. Pois não foi livre para querer “X”. Logo, liberdade é um conceito utópico.

No campo das emoções a liberdade é ainda mais restrita, visto que não podemos desfrutar de saúde psíquica em sua plenitude. A não ser que alguém consiga administrar seus pensamentos e emoções e liderar sobre tantos outros transtornos emocionais que restringem em graus diversos a liberdade. Como por exemplo, a ansiedade, a angústia e as fobias. De modo que apesar da liberdade ser vital para o homem, ele sempre foi vítima, em alguma dimensão, de algum tipo de prisão.

Sartre era convicto de que o ser humano tem liberdade absoluta, não somente isso, mas que a existência humana é liberdade em sua essência. Entretanto, o “eu tenho de estar livre pois sou livre” sugere que “não tenho a liberdade de ser não livre” e como toda afirmação desprovida do absoluto deve ser relativizada, qualquer coisa abaixo da completa autonomia é uma “não liberdade”, e infere que a ideia de “liberdade limitada” é contraditória.

No Éden Deus disse “De toda árvore do jardim comerás livremente” em seguida acrescentou uma restrição: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás”. Este “não” representa um limite imposto à liberdade humana já na sua gênese, logo, o ser humano não é realmente livre.

O conceito cristão da onisciência de Deus já destrói essa nossa subjetividade. Pois esta onisciência faz de Deus um “voyer” cósmico que reduz a liberdade humana a zero.




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