A culpa é de quem mesmo?!



Recentemente, na comunidade Facebook de uma igreja batista da qual fui membro, um irmão assim se manifestou:

"De uns tempos pra cá me tornei uma pessoa cética quanto à autoria do Diabo em relação aos meus pecados (e aos dos outros). Não sei por que, mas já ouvi algumas vezes casos como 'Pow, eu traí a minha esposa... sabe como é, né, o inimigo fica tentando... ele joga sujo...'

A desculpa de que foi o diabo quem me levou a fazer isto ou aquilo é explicada pela análise comportamental quando nos deixamos mover por aquilo que o pesquisador norte-americano Julian Rotter chamou de "loc externo".

Segundo ele, o "locus of control" (local de controle) seria a nossa percepção a respeito das causas subjacentes aos eventos existenciais. Assim, o locus of control (loc) seria a plataforma a partir da qual o indivíduo atribui significação de responsabilidade aos fatos ocorridos na vida.

Podemos falar em loc interno quando a pessoa considera a sua inteira responsabilidade pelos efeitos ou consequências dos empreendimentos assumidos, admitindo serem os fatos - sejam esses positivos ou negativos - resultados de suas escolhas feitas. Contudo, o loc torna-se externo quando o indivíduo atribui os resultados dos acontecimentos a fatores ou circunstâncias situados fora ou além de seu poder. Neste caso, a pessoa considera os fatos ocorridos serem o resultado das escolhas feitas por outros indivíduos ou instâncias superiores.

Deste modo, quando alguém põe a culpa no diabo (ou nos outros) pelas escolhas que faz é porque ainda não sabe discernir o quanto existe de condicionamento externo e o quanto existe de autonomia nos comportamentos assumidos, de modo que tal pessoa não consegue evitar polarizações em seus discursos, tendo uma clara tendência à submissão, passividade e esquiva quanto à auto-responsabilidade pelo resultado das ações tomadas. E isto talvez explique por que até hoje os "cultos de libertação" oferecidos por inúmeras "igrejas" vivem lotando...

A verdade é que existem outros escapes semelhante a "botar a culpa no diabo", conforme Gênesis muito bem nos mostra quando Adão culpou Eva e esta a serpente.

Quando falei a respeito do "loc externo", posso incluir aí o comportamento de culparmos os outros, as circunstâncias da vida, uma perda que tivemos no passado, uma doença, um insucesso, o trânsito nas cidades, etc.

A maturidade está em reconhecermos até onde vai este condicionamento externo e até onde eu quis agir de uma determinada maneira. E, tomando esta consciência, o passo seguinte é partir pra mudança. Agir!




OBS. – Réplica do autor feito em resposta ao comentário do texto "Se Deus está conosco, por que tanto sofrimento?"



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