Guetos e “guetices” gospel

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E lá vou eu escrever sobre o gueto gospel novamente. Mas a culpa não é minha. Eu fujo da polêmica, mas ela dá a volta no quarteirão e me espera sorridente. Na semana passada, por ocasião da votação no STF sobre a validade das relações homoafetivas, minha timeline no twitter virou um verdadeiro tiroteio em cabaré. Não levando a sério os argumentos dos irmões mais exaltados, levantei alguns dos problemas do gueto gospel. Cá abaixo, reproduzo os mais relevantes [minha opinião, baby]:

O problema do meio gospel é que…

Se eu Caio, Fábio me chama de bundão. [ok, comecei com um chiste infame, mas convenhamos, o Caio anda muito truão ultimamente]

Deixam a gente Diante do Trono, mas esquecem de dar descarga.

Depois do Jece, qualquer Valadão acha que pode ser celebridade.

Ninguém quer terreno usado no céu, o povo só aceita Terra Nova. (via @_gu5tavo_)

Preferem dentes de ouro a ensinar hábitos de higiene oral.

Vivem cantando ‘faz chover’ e não param de reclamar que o fogo não acende.

Pastores falam que fulano é desviado, ele olha em volta e não acha os outros nove.

O Inri Cristo ainda é um dos caras mais sérios entre eles.

Fazem de conta que oferta/cachê e culto/show não são a mesma coisa.

As trinta moedas são o mesmo preço pago hoje em dia pra se ir a qualquer show gospel.
Você sai de dentro do gueto, mas ele não sai de dentro de você.

O inferno islâmico é mais chique. [Fala sério, um inferno todo revestido com mármore é bem mais chique do que um com um laguinho fedendo enxofre]

Acham que, mudando o nome das coisas, as coisas serão diferentes.

Acham que o Velho Testamento abona qualquer maldade cometida em nomididels contra ‘seus inimigos’.

Chamam o patrão de Faraó do Egito e acham que o despertador nunca toca por cilada do diabo.

Acham que o adocicado é divino e o amargo é diabólico, ninguém come jiló e diabetes reina. [Metáfora alimentar interessantíssima. Lógico que você entendeu]

[neste ponto, uma querida amiga disse que concordava em tudo, mas se preocupava com o tom amargo, continuei com um pouco mais de fel]

Acham que o diabo toma a vaga de trabalho q era sua, mas é deus quem tira do outro pra eles.

Acham que evangelismo é vale-tudo, até chute no saco e dedo nos zóio.

Acham que devem orar pelo necessitado só pra que ele pare de ser necessitado na sua porta.

Querem o poder secular que Jesus disse pra abrirmos mão.

Evangelistas, mestres e pastores foram trocados por astros, celebridades e cantores.

Cancelaram a carteirinha de Jesus e proibiram seu acesso ao clubinho.

O púlpito virou palco e sacristia, camarim. (via @gondimricardo)

[aqui, termino a sequência de comentários sobre o ambiente gospel e faço agora algumas poucas observações sobre aquilo que compreendo sobre a graça de Jesus]

A graça de Jesus está…

Em prostitutas e travestis sendo samaritanas nas portas de hospitais e leprosários.

Em um catador de latas salvar um bebê abandonado numa lixeira e ele só desejar que o bebê seja bem cuidado.

Nas mãos de velhinhas que dividem o pão com mendigos ao sair das padarias.

Em dez ministros do STF reconhecerem que opção sexual não gera subcidadãos.

Em qualquer um poder imitá-lo, até o Rafinha Bastos.

Em abandonar a teologia em favor da vida.

No pai que recebe o filho saindo mais uma vez da reabilitação com mais esperança do que antes.

Não em Jesus verter água em vinho, mas sim sangue em água.

Em esquecerem-se de orar pelo necessitado porque gastaram muito tempo comendo, bebendo e compartilhando o abrigo com ele.

Por fim, a graça de Jesus é que ele me escolheu pra ser apenas um palhaço: http://t.co/MvTh2Vo.

Sim, a graça de Jesus é que ele ri das minhas palhaçadas porque ele já foi palhaço no circo de Roma e riu por último.


Fonte: Pequenos Dramas 



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