Fantasmas de santidade



 
Esses ícones sagrados da história do protestantismo são os fantasmas dos nossos desejos carnais. Sim! Estes tais homens de Deus de fibra moral do passado são nossos algozes!! Eles são símbolos de estabilidade espiritual, líderes proféticos que não tivemos na nossa era, que angustiam com seu exemplo rigoroso de santidade inatingível, seus admiradores; que frustrados tentam imitar seu chamado divinamente extravagante. Mas isso não se trata necessariamente de virtude moral ou escolhas feitas por eles, pois além de um encontro dos “astros” (propósito de Deus) eles são uma raça de gente, um tipo de homem.

São homens rijos moralmente, pioneiros e desbravadores de uma terra selvagem e agressiva. Eles são homens de dores na alma, experimentados no trabalho precursor de uma civilização. Seres sem as contradições e paradoxos de uma sociedade plenamente desenvolvida. O excesso de informação e conhecimento e a modernidade fizeram de nós hoje, homens dissolvidos, sem fibra moral. Não nos falta obediência! Falta-nos ferro e fogo que nos de oportunidade de formar um caráter austero e obstinado.

Homens como Jeremias, Paulo, Tiago e estes gigantes de fibra moral do protestantismo, são apenas “lendas” que nos assustam nas nossas estruturas religiosas franzinas. Foi o tempo que os tornou heróis inimitáveis. Foi a tradição que fez de seu legado uma fábula que serviu para nossa fase de infância e aprendizado. É possível repetir a história, mas antes devemos matar nossos heróis da fé. Devemos enterrar completamente o pensamento de que eles foram mais fiéis à Deus do que nós.

Não somos homens com a mesma formação e cultura deles, somos produto do nosso tempo. Hoje, a despeito da diluição em nós, da resistência e resignação do homem antigo, estamos com a bola da vez, não há o que temer; somos os heróis agora! Não quero ser um
Jonathan Edwards de virtude ou um John Wesley de santidade, estou certo de que não preciso e nem dá pra ser. Quero ser eu mesmo, contraditório e pecador no presente, mas Santo e Lenda para as gerações futuras. Que a história se repita, que o “mito” sagrado envolva minha inconsistente piedade diante de Deus. Mas que assim eu possa sair desta vida, para entrar na história da saga sagrada dos homens de Deus desta geração.




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