Welcome to hell



Igrejas históricas, protestantes e reformadas, que se consideram certas... vão pro inferno!

Pentecostais, que cresceram meteoricamente, vitoriosas na evangelização, que têm o poder do Espírito Santo (as outras também têm)... vão pro inferno!

Neo pentecostais e seu discurso triunfalista, “o pronto socorro de Jesus”... vão pro inferno!

Igrejas que fazem cruzadas todas vezes nos mesmos lugares, nos grandes centros; que arrecadaram já milhões e milhões de reais e de almas também. Multidões que fazem parte desse contexto social e são alvos fáceis dessa miséria da teologia mercado por estarem em busca de se dar bem na vida, cujos pastores,para justificar o “evangelismo”, compram jatos, helicópteros para este fim. Alugam iates para treinar pastores, ao invés de ensinar aos membros. O inferno é o seu lugar. Vão pro inferno!

Igrejas que têm os filhos de seus líderes estudando nas melhores faculdades do mundo, enquanto os de suas ovelhas não têm si quer uma escola de qualidade promovida por essas igrejas ricas, para seus filhos, uma vez que são dizimistas e contribuintes com ofertas. Não têm um hospital que possa atender a população gratuitamente, enquanto arrecadam milhões de reais;(falo do que é noticiado pela mídia jornalística nas aquisições de grandes patrimônios) Uma igreja assim tem que ir para o inferno. Vá pro inferno!

Igrejas intelectuais, que mantêm seus seminários produzindo profissionais da fé, mas que não abrem condições para aqueles que não dispõem de recursos para formalizarem sua vocação, exigindo um esforço tal que refletem num impedimento propriamente dito, infelizmente vocês também têm que ir pro inferno. vão pro inferno!

Igrejas que não aceitam a realidade da pobreza, da miséria humana, que medem o grau de espiritualidade pela realização social; que têm a pretensão de deter em seu domínio o benefício que a ciência médica tem nos servido em seu campo. Que demonizam todos os que sofrem com estas situações supracitadas; que medem o grau de sucesso de sua práxis pelo tamanho de seus templos. Tenho algo a dizer-lhes: vão pro inferno!
Jesus nos manda para o inferno.

Precisamos sempre ir ao inferno. E hoje temos essa oportunidade.

Jesus, como mestre, nos mostrou que o caminho para o céu passa por essa via porque o inferno a que Jesus, o Cristo, se referia era justamente esse inferno humano que existiu e sempre existirá enquanto aqui vivermos. Ele veio ao nosso inferno.

Algumas classes de pessoas que vivem o drama do inferno podem ser resgatadas através de um ensino bom e comprometido com a causa do Messias. Outras, por sua vez, requerem alguma ação mais concreta nesse campo. Que campo? O campo territorial onde essa realidade é constatada. Alguns exemplos: O sertão nordestino; as nossas fronteiras esquecidas; temos também as misérias sociais que a teologia de mercado não quer ver, como as drogas, a prostituição infantil nas grandes capitais; as questões da cultura ( índios enterrando criança viva ainda hoje). Nisso concordo com Derval Dasílio “... as igrejas não se apresentaram...”.

Então, aquela perguntinha básica do mestre para o Mestre deve ser reformulada assim: de quem eu devo ser próximo? E não: “quem é o meu próximo” (se não estou enganado ouvi isso de Ariovaldo Ramos).

O caminho para o inferno inicia-se à partir desta reflexão: De quem eu devo ser próximo? Para Ghandi o seu próximo era "tudo o que tem vida". Dispensando a teologia hindu e refletindo na crueldade humana, tudo que se pratica em relação aos animais, e o que faz a sociedade em relação a isso, concordo com ele. Luther King pastor negro, inspirou-se nele e prestou um grande serviço ao mundo. Bonhoeffer deve ter bebido no pensamento de Nietzer: quando a igreja não se apresenta, o Deus dela está morto (é a famosa linha da morte e Deus. É preciso compreender o que Nietzer estava querendo dizer). Bonhoeffer prestou um grande serviço ao mundo de sua época. É dele a conclusão de que a ética de um país de mede pelo que ele faz com suas crianças.

E a igreja de nosso tempo, como tem se apresentado ao mundo?

Querendo lhe ofender (no sentido de provocar um redirecionamento)

Vá pro inferno!




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