Nietzsche - Um soco no estômago




Ler Nietzsche é sempre um soco no estômago nos que pautam sua vida por um doutrina religiosa de onde ela não deve sair por medo do castigo divino.

Nietzsche nunca depreciou a figura de Jesus, já o apóstolo Paulo era o seu grande desafeto; para o filósofo, Paulo foi o autor da "moral dos fracos", "moral do escravo". Com a imposição muita vezes autoritária de sua doutrina, Paulo construía em seus seguidores uma conformação e debilidade de escravo, sempre inertes e sem atitude diante da vida.

Viver não era importante, esperar bucolicamente a volta de Jesus para irem morar nas nuvens era o grande ideal no início do ministério de Paulo, logo, para quê viver, ter vontade de influir nos rumos da sua própria existência se tudo logo se acabaria numa parousia que nunca veio?

Até acho que Paulo já mais maduro, mudou um pouco esse foco de passividade diante da vida pela espera da parousia e do "fim da história".

Li o "Anticristo" de Nietzsche quando ainda era um jovem assembleiano submetido ao "caminho certo"(ortodoxia) do qual não deveria me desviar nem para a direita nem para a esquerda pois terríveis conseqüências aguardavam os que faziam isso.

O Anticristo foi um soco no meu estômago. Quando Nietzche diz que a escória do mundo são os  padres, sacerdotes, pastores fiquei enojado do bigodudo. Larguei o livro pela metade e o esqueci na minha biblioteca recheada de "bons livros" sobre a ortodoxia; Nietzsche era ali um intruso.

Só muitos anos depois voltei ao livro e pude entender melhor o seu pensamento e o quanto ele estava a frente do seu tempo.

O que ele disse ainda hoje é válido.

Mas eu creio que a religião é uma dimensão importante para o homem. A fé é importante para a vida, mas tão somente quando ela não seja uma negação da própria vida. Creio ser possível ser um religioso ou místico e ter a "Vontade de Potência" que Nietzsche tanto pregara.

Podemos ser religiosos e místicos e não nos dobrarmos a moral escrava ou ao moralismo que escraviza a vontade. Tudo vai depender do sistema de crenças que você tomar como "verdade" e como caminho a ser imposto a todo mundo.


Obs.: Comentário feito em resposta ao excelente texto de Donizete A. Vieira do blog Assembereano.



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