Deus é coisa da sua cabeça



Se existe algo do qual os cristãos atuais têm medo é o relativismo. Imaginar que outras pessoas fora da redoma cristã podem estar certas é aterrorizador. É como dizer que todas as práticas impostas de forma sádica pela igreja foram inúteis. Ao se falar da possibilidade de outra religião levar ao mesmo caminho, os primeiros sinais de revolta não se referem ao sacrifício de Cristo mas sim, ao sacrifício pessoal de uma suposta difícil vida cristã.

Nesse sentido, o Deus cristão não passa, como dizem os ateus, de algo inventado por nós mesmos, para justificar a moral e o medo pelo desconhecido, o pós-morte. A compreensão de que todos somos absolutistas e relativistas ao mesmo tempo pode parecer contraditória, mas faz-se necessária para o entendimento geral da famigerada co-existência. Afinal somos todos absolutos em opiniões pessoais e relativos quando comparamos essas opiniões com as alheias.

Admitir o relativismo dessa maneira é uma dificuldade para cristãos, o dogma papal da inerrabilidade foi usurpado. O fato observável é: existe a possibilidade de conciliação lógica da ressurreição de Cristo de forma absoluta e individual e mesmo assim a relativização dessa idéia quando comparada com o olhar muçulmano. Isso não quer dizer de maneira alguma que o cristão deixará de crer em um único caminho de salvação por exemplo, mas permitirá que a cosmovisão se altere, não fique enclausurada pelas grades religiosas.

Assumir que, de forma relativa, Deus é uma idéia individual é um passo dogmático libertador. Afinal assumimos, principalmente cristãos, a postura de certeza exclusiva, ou seja, todos os outros estão errados. Enxergar de outra maneira não é necessariamente dizer que todos estão certos, mas que, segundo o seu ponto de vista, eles estão errados; por mais que pareça óbvio, a inserção da reflexão de valores antes de qualquer julgamento alheio pode fazer com que o tão querido respeito e a tão aclamada coexistência se façam mais presentes nos nossos dias.


Fonte: Rapensando 


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