Entre a cruz e o duréx



Chegando à repartição pública, a qualquer uma delas, diria eu, nos deparamos quase sempre com aquela agra imagem. Tão impactante e ao mesmo tempo tão triste. Nada de bom aquilo me traz, nada menos do que a dor e a sensação de que sempre vou ser culpada pelo cálice, pelo tormento na cruz.

Aquele Jesus ainda está ali, cabisbaixo, fraco e, aparentemente, derrotado. O sangue mal feito e os pequenos pregos pintados são incapazes de expressar o real sacrifício. Suas mãos já estão quebrando, o gesso branco vai aparecendo aos poucos. Ele quer sair de lá, mas não deixam. Suas mãos estão pregadas com duréx e a coroa de espinhos, verde, já está sem cor. Fico com um "nó na garganta" toda vez que levanto um pouco os olhos, "entre a cruz e o duréx", ele está bem acima do meu computador, fincado na parede.

Esse não é o Cristo que eu conheço, nem o que eu quero me lembrar. O Cristo que eu conheço não pode ser esculpido. Meu Cristo é aquele que ressuscitou e que deixou naquela Cruz vazia o reflexo da liberdade. É aquele que chorou por nós, mas que agora quer sorrir conosco. Não penso mais que Jesus olha para Suas mãos e vê as cicatrizes, eu acredito que Ele olha e vê as mãos limpas por ter cumprido o nosso dever de casa.

Não vejo razão em continuarmos com o sacrifício se podemos degustar da consequente graça. Não é preciso que continuemos forçando a crucificação. Um dia eu ouvi algo de alguém que viu do “ocriador” no twitter: “Não falem que vão pregar, Jesus sempre leva um susto.” E realmente, vamos parar de pregar Jesus! Sem cruz e sem duréx, combinado?




Para comentar, visite e prestigie a página da autora