Afinal de contas - Que Deus é este?!



Ou o Deus dos evangélicos sofre de crise de identidade assumindo cada hora uma personalidade diferente, ou realmente trata-se de dois deuses diferentes conforme a circunstância e o coração do adorador.

Um é o Deus retirado dos salmos que cumpre seus juramentos de fidelidade aos fiéis aqui na terra, que faz felizes os que esperam em Deus, o qual não deixa morrer os crentes antes que todas as promessas se cumpram em suas vidas. 


O outro é o Deus revelado no apocalipse que virá em breve livrar os crentes de suas aflições e tentações neste mundo de pecado e dor,  que não promete felicidade aqui na terra, mas que recomenda aos crentes olharem sempre para cima.

Mas tudo depende do estado de espírito do fiel aqui em baixo, pois se ele estiver feliz e satisfeito aqui na terra, o seu Deus será aquele que o faz prosperar, que lhe dá a terra por recompensa, e que o faz reinar entre os príncipes deste mundo realizando seus sonhos aqui mesmo nesta vida.

Entretanto se o crente não estiver bem aqui embaixo a sua perspectiva e esperança será outra, pois não se encontrando neste lugar, os seus olhos irão se virar para cima de onde ele esperará seu Senhor para vir levá-lo para um mundo melhor. Mas tudo depende da economia e da realização pessoal de cada um.

Os dois não são o mesmo Deus, pois é nítida a diferença, um é formado por quem está no topo, por quem está feliz, por quem tem todas as suas reais esperanças aqui nesta terra. Enquanto o outro é a visão daqueles que não cabem mais neste mundo que os rejeita, que os empurra para uma esperança celestial visto não ter sobrado espaço nesta sociedade para eles serem felizes.

Realmente são deuses diferentes, pois o mesmo que quer dar vida abundante e a terra como herança aos fiéis, não pode ser o mesmo que em breve vai a destruí-la em um apocalipse. Para quem acredita no Deus de promessas, a sua fé está baseada em casos, contos e testemunhos de bênçãos e milagres realizados por este Deus tribalista que só tem olhos para proteger os obedientes e remanescentes cristãos fiéis da terra.

Já aqueles que melancolicamente esperam o fim deste mundo que lhes é estranho, suas crenças se apóiam em evidências de tragédias e acontecimentos econômicos mundiais. Para eles quanto mais acidentes naturais, melhor, quanto mais carnificina, melhor ainda, pois é sinal de que o seu Deus está voltando para salvar eles e deixar para traz os que não aceitaram suas mensagens e exortações a serem iguaizinhos a eles.

De qualquer forma estes dois deuses, recompensam aqueles que os servem direitinho, quer seja aqui na terra ou lá no céu. Um sendo o dono da prata e do ouro repreende o devorador e abre as janelas do céu para o cristão, enquanto o outro fará os seus sofridos seguidores depois de terem enfrentado muita prova aqui em baixo, andar em ruas de ouro lá no paraíso. Ou seja, o “ouro” é um dos prêmios principais, aqui ou lá.

Um destes deuses está baseado na teologia dos salmistas, e que foi idealizado quando os judeus estavam bombando e triturando as nações ao redor e quando tudo de bom acontecia para eles, enquanto o outro é construção escatológica dos sofridos cristãos perseguidos na palestina e no império romano.

Os dois podem ser cridos simultaneamente na mesma pessoa, tudo depende do seu estado de espírito, das suas fases da vida, das suas necessidades, os dois podem ser pregados na mesma igreja por gente e motivações diferente, e até mesmo no mesmo culto, neste caso depende se for antes ou depois da oferta.

E qual é o verdadeiro? Nem um é claro! Visto Deus não ter personalidade, temperamento e raciocínios semelhantes ao dos homens e seus projetos. Deus não faz barganha com os seres humanos ou planos cósmicos elitistas, Deus simplesmente flui... e está muito além de tudo o que se pode imaginar e conceber neste mundo, mas é materializado na relatividade dá fé de cada um que o concebe conforme a fraqueza ou mesquinhez de seu coração.

Por conseguinte, para aqueles que tiveram a grande sorte aleatória da vida de nascer com uma alma nobre e um coração forte, e que não precisam de uma esperança a qual os faça fugir da dura realidade que a vida os impôs, ou para aqueles que sendo ricos por dentro, e que não se apegam ou desejam a obtenção fácil das coisas e bens exteriores, o seu Deus será um Deus melhor, um Deus muito mais Deus, e não um Deus feito com o produto da baixa qualidade, das ansiedades e fraquezas humanas.


Fonte: Cristianismo a-religioso
 

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