Os quatro estágios do ateu enrustido



Ser ateísta hoje em dia é um fardo difícil de carregar... o ateu é uma das últimas minorias contra a qual o preconceito é praticado de forma aberta e impune. Por isso mesmo, é normal que muitas pessoas tentem esconder o próprio ateísmo para serem socialmente aceitas, às vezes chegando ao extremo de enganar a si mesmos.

Do mesmo jeito que acontecia com os gays algum tempo atrás, essas pessoas correm o risco de passar a vida inteira se enganando e se iludindo, sem nunca criar coragem pra "sair do armário".

E você? Também é um ateu enrustido? Confira agora os quatro estágios da transformação de crente fervoroso para ateu convicto.

1. O Self-service

O Self-service é aquele que ainda está dando os primeiros passos no afastamento da religião. Ele ainda se declara cristão, lê a Bíblia e está bastante ligado à sua igreja, a qual frequenta regularmente.

O nome vem da forma como ele encara as escrituras. O ateu enrustido, neste estágio, trata a Bíblia como se fosse um enorme balcão de restaurante self-service.

Os trechos que são bons, bonitos e interessantes, ele acredita e segue à risca. Já os trechos que são fantasiosos, cruéis, controversos, escravagistas, machistas e coisa do tipo, ele dá um jeitinho de não seguir, usando todo tipo de desculpa. Dizer que uma passagem é "metáfora" ou "contexto da época", usar interpretações obtusas pra mudar o sentido do que está escrito, ou dizer que tal passagem "não vale" por ser do antigo testamento são alguns dos artifícios que o self-service usa pra não "colocar no prato" os trechos que ele não gosta.

2. O Evasivo

O Evasivo já está um pouco mais afastado que o Self-service. Ele continua se declarando cristão, mas frequenta bem menos a igreja e nunca lê a Bíblia por conta própria. Sua fé já começou a balançar, mas a simples ideia de perder a fé é assustadora pro seu coração que morre de medo de cometer a heresia, então ele tenta de todas as formas não pensar no assunto.

No caso do Evasivo vale a velha frase "a ignorância é uma dádiva". Como ele não lê as escrituras por si só, apenas ouve as passagens que o padre/pastor/whatever seleciona. Por motivos óbvios esses líderes religiosos selecionam apenas as partes bonitas, poéticas e críveis para pregar, assim ele nunca tem contato com os trechos discutíveis ou polêmicos das escrituras.

Se alguém tentar citá-los, o Evasivo vai simplesmente achar que essa pessoa é uma implicante maligna que fica tirando coisas de contexto para denegrir a imagem de um livro tão maravilhoso.

Mas ele não vai dizer isso. Lembre-se: para o Evasivo, a ignorância é uma dádiva, então ele detesta argumentar sobre a sua religião. Em qualquer discussão, ele vai tentar de todas as formas encerrar o assunto o mais rápido possível. Portanto, as frases mais comuns de se ouvir do Evasivo são coisas do tipo: "esse assunto não se discute", "você precisa respeitar a minha fé", "não vou perder tempo falando disso com você", e coisas do tipo.

3. O Não-praticante

O Não-praticante, essencialmente, já está quase totalmente desligado da crença, e o primeiro sinal disso é quando ele começa a usar a velha expressão "eu acredito em Deus, mas não nas religiões".

Quando está nesse estágio, qualquer coisa mais concreta vai atiçar o lado crítico e racional do Não-praticante, então ele tenta usar termos bem vagos e genéricos. A fé dele já não tem mais nada a ver com o que está escrito na Bíblia. Para ele, Deus é apenas um pai bondoso que nos ama e faz coisas boas, ou alguma frase genérica parecida. Ponto. Nada de escrituras, nada de mandamento, nada de regras, de inferno, julgamento, etc.

Nesse ponto, a religião já não tem nenhum impacto sobre a maneira como ele vive a vida, exceto para eventualmente soltar alguma frase bonita com o nome de Deus no meio, ou como conforto sentimental.

Ele já não discute assuntos de religião, não se importa que critiquem a mesma, e nem liga se seus amigos são ateus, budistas, umbandistas ou qualquer outra religião oposta à sua, mantendo um ar de laissez-faire que demonstra o quanto ele não se interessa pelo assunto.

4. O Abstrato

Último estágio antes de a pessoa criar coragem para assumir o ateísmo, o Abstrato só não admite a sua descrença, nem que seja pra si mesmo, por medo. Seja esse medo da falta de aceitação social ou de um eventual improvável castigo divino.

De toda forma, ainda mais que o Não-praticante, ele já não se importa nem acredita em nada relativo ao cristianismo, apenas continua declarando a fé para não sujar a sua imagem de bom moço. Para ficar em paz com a sua consciência racional, ele evita citar diretamente o nome "Deus", substituindo por conceitos mais abstratos e não passíveis de contestação, como amor, bem, harmonia.

Em alguns casos mais extremos, o Abstrato vai se referir a Deus usando expressões pseudo-científicas como "Energia Cósmica", "Consciência Universal", "Inteligência Superior" ou coisa do tipo, o que na sua visão vai dar um ar mais intelectual à sua crendice, e fazê-lo se sentir menos ridículo.
E então... em qual estágio você está?