Pequeno manual para entender crentes

 
Introdução a leitura: O texto que é de autoria de um “não adepto do cristianismo”, faz uma leitura contundente do sentimento de ojeriza patrocinado de forma velada quando não explícita pelos “crentes”, a toda expressão seja ela de qual natureza for que se contraponha a sua interpretação religiosa.

É o grito daqueles que se sentem rotulados como não merecedores de respeito e dignidade, e que deveria ser um aviso a todos nós que cremos no Evangelho que valoriza o ser humano independente da opção ideológica/filosófica da pessoa.

É um convite/alerta a repensarmos nossa abordagem e interação com aqueles que pensam diferente, e que são tão capazes de oferecer alternativas para uma sociedade mais humana e mais justa, além de contarem com a mesma prerrogativa nossa de “ser criado a imagem e semelhança de Deus”.

Para quem desejar ler mais, o texto na íntegra encontra-se neste link: artigos.

Uma boa leitura a todos, sem as lentes do pré-conceito e da intolerância que só contribui para mais desserviço à vida.




Os crentes e o mundo e o mundo dos crentes


Se você é do mundo então você não faz parte do mundo dos crentes, considerando-se o que a expressão "o mundo" significa para eles.

As passagens bíblicas que explicam o que estou falando são várias, mas basta esta:

    João 15:18 Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.
    João 15:19 Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia.

Dizer que alguém "não é deste mundo" pode ter diversas conotações, mas geralmente usamos esta expressão para nos referir a outro cujos hábitos o distinguem em muito da média em um ou mais aspectos.

Quando os crentes dizem que alguém não é deste mundo estão falando deles mesmos.

Assim como os homens são de Marte e as mulheres de Vênus, os crentes crêem habitar um planeta diferente do nosso, cujas coordenadas astronômicas só eles conhecem, mas dizem situar-se numa dimensão chamada de "espiritual".

Você pode conviver diariamente com crentes, trabalhar com eles, tê-los como vizinhos ou co-participantes de alguma atividade social, mas se você se considera um simples habitante do planeta Terra, sem pretensões a uma dupla cidadania cósmica, então mesmo o crente mais moderado o verá como representante do mundo que ele acredita odiá-lo, o que inspirará nele, no mínimo, alguma cautela no trato com você.

Isto não implica que amizade entre crentes e não crentes seja impossível, mas a amizade dedicada a um do mundo será, quase sempre, de natureza muito diferente daquela dedicada aos do mundo deles.

Esta restrição temerosa dos crentes ao mundo e tudo que vem dele, inclusive você, é a primeira barreira que dificulta as tentativas de entendê-los.

Além de primeira, é a barreira mais difícil de transpor, uma vez que não é pessoal. Você pode ser a melhor ou a pior pessoa do mundo, para os crentes não importa. Se você é do mundo, para eles é um alienígena.

O único modo de alguém do mundo penetrar o mundo dos crentes é deixando o próprio.

Como não emitem vistos de turista para o mundo deles, o único jeito de penetrá-lo é mudando-se para lá em definitivo, o que significa conversão.

Para quem a conversão não está nos planos, o mundo dos crentes pode ser conhecido apenas pela observação de fora, o que, como os astrônomos amadores sabem, exige técnica e equipamento adequado, sem os quais a observação traz por resultado antes um anedotário pitoresco do que conclusões plausíveis.

Como poucos dentre os do mundo dispõem desta habilidade ou recurso, mesmo porque a maioria tem mais o que fazer, o mundo dos crentes lhes é tão misterioso quanto os planetas de outros sistemas estelares. Perceptíveis por suas interações, mas invisíveis quanto aos seus aspectos interiores.


Fonte: ateus.net