Meras impressões sobre a vida



Que diremos, pois, a estas coisas?”

A vida é repleta de situações obscuras que nos foge a capacidade de compreensão.

Formulamos de maneira racional alguns conceitos para atender a necessidade interior que temos de respostas, mas acabamos num ciclo vicioso de argumentações que nos inquietam ainda mais, nada encontrando.

O tempo passa, as interrogações aumentam, e a sensação que experimentamos é de que estamos sendo esmagados e asfixiados por essa busca neurótica de explicações.

Olhamos para os retrocessos que sofremos e vamos logo pensando: Só pode ser maldição Divina.

Elaboramos e administramos no nosso interior, uma agenda macabra secreta de auto-punição indulgente, como meio de pacificação da consciência adquirida pelo conflito do ser e não querer.

Somos extremistas em analisar os fatos, e nessa audácia em transferir a responsabilidade a quem de direito, nos tornamos cada vez mais amargos, apáticos e desacreditados de que a nossa existência possa ganhar o colorido das boas coisas que ela nos reserva, com a garantia da eterna parceria do Criador.

Articulações engendradas nos porões de fuga das inquietações da alma, assombram nossa limitação em compreender e dar contorno exato as crises que se instalam sem pedir licença.

E agora o que vai ser?  É o consolo que nos premia sarcasticamente.

Entre divagações e rompantes alegrias, um lampejo Divino transcende com a incumbência de nos fazer equacionar toda experiência absorvida.

Em minhas meras impressões sobre a vida, aprendi que não tenho o direito de ser seletivo tampouco menosprezar os descaminhos e viés dessa eterna tapeçaria, pois eles são a gênese para novas dimensões.

Aprendi que não adianta fugir do enfrentamento das circunstâncias me alienando da realidade por mera frugalidade.

Aprendi que não devo desesperançar se a batalha insiste em se arrastar e me arrancar da trincheira.

Aprendi que não devo permitir que a face carrancuda das mal acabadas pinturas da alegria me roubem a energia da possibilidade de um amanhã melhor.

Aprendi que não posso delegar o intransferível, pois cabe a mim a tarefa de crescer tendo antes que diminuir para ao final poder sorrir.

Aprendi que a vida é uma caixinha de adoráveis e desagradáveis surpresas que se revezam entre si numa conspiração arquitetada com a Divina permissão de nos amadurecer.

Aprendi! que  ... em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”.