A incompatibilidade das religiões do livro





APESAR DE TEREM uma origem comum e de pertencerem teoricamente ao mesmo Deus, judaísmo, cristianismo e islamismo, conhecidas como "Religiões do Livro" atravessaram a história em grandes conflitos.  O judaísmo não reconheceu em Jesus o messias esperado e rejeita a partir de suas compreensões religiosas tanto o cristianismo quanto o islamismo. O cristianismo já foi anti-semita, julgou o povo judeu de ser responsável pela morte de Jesus e ainda hoje questiona a "cegueira espiritual" dos judeus; de igual modo, nunca cogitou aceitar a revelação de Deus no Corão como válida já que ali é negado a morte de Cristo na cruz (S.4-v.156) e o caráter de Filho de Deus do Nazareno (S.5-v.76 e 79); por conseguinte, rejeita sua ressurreição. Por sua vez, o islã se julga como depositário da última revelação de Deus na linha direta de Abrãao, de Moisés e de Jesus. Evidentemente, não aceita os pressupostos nem do judaísmo e nem do cristianismo.

Quem tem a revelação "verdadeira"? Qual livro é "infalível", "inerrante", "inspirado"?

POR SUA NATUREZA os monoteístas são geradores de fanatismo religiosos, especialmente no início das suas histórias. Eles cultivaram uma CRENÇA PERIGOSA: a de terem, cada um, A VERDADE. Junte-se a isso, a missão auto-imposta de converter o mundo (cristianismo e islamismo) que foi geradora de intermináveis banhos de sangue durante os séculos.

POR ESTA e outras razões, não posso admitir que a Bíblia seja A REVELAÇÃO ÚNICA E INFALÍVEL DE DEUS, assim também com a Torá e com o Corão,  pois não há qualquer comprovação histórica acima de qualquer refutação para tal afirmação. Ninguém pode se declarar dono da inspiração divina. Qualquer afirmação nesse campo não vai além da crença e da fé. E fé por fé, quem pode negar a fé do outro? baseado em quê? Em sua crença que tem a "verdade"? Mas se o outro também afirma a mesma coisa, qual parâmetro imparcial que existe para se provar que um está certo e o outro errado? NÃO EXISTE TAL PARÂMETRO, a não ser os parâmetros de cada um em seus círculos dogmáticos subjetivos.

REPITO aqui um recente comentário que fiz no blog da Confraria: como seria bom se um dia todas as religiões do mundo fizessem das duas uma:

1 - Decretariam que a partir daquele momento todos as intituições, todos os dogmas, todos os rituais e toda a alienação que sua religião provoca estariam sumariamente abolidas e só restaria essa dimensão psíquica NECESSÁRIA ao homo sapiens de ser homo religiosus mas nada mais poderia ser construído a partir daí, apenas a CONTEMPLAÇÃO, o que acarretaria que todas as imagens de Deus não teriam mais importância alguma, pois todos chegaríam à conclusão que todas elas são incompletas, geradoras de conflitos, reducionistas, individualistas e absolutistas, ou:

2 - Estaria decretado que toda e qualquer religião chegaria à compreensão de que todos os seus ritos, dogmas e preceitos, são apenas construções culturais e que em nada refletem a VERDADE ABSOLUTA DIVINA; daí, resultaria que todos os religiosos não mais tomariam para si a VERDADE DA FÉ, mas compreenderiam que a VERDADE RELIGIOSA DO OUTRO é complemento para a sua própria; e que nem assim, com todas as “fés” do mundo juntas se complementando em suas diferenças, ainda assim, não chegariam nem próximo da VERDADE ABSOLUTA DIVINA, pois ela está fora do alcance de nossas mentes.