Massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira – Rio de Janeiro

 

A forma como cuidamos de nossas crianças hoje é que irá organizá-la como pessoa amanhã. 

As boas experiências despertam amor e as más o ódio.
 
Que o amor de Deus possa suprir a falta e sarar a ferida!.......

Uma visão psicanalítica sobre o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira – Rio de Janeiro.

Porque esses crimes nos chocam tanto?

Nos chocam porque há uma incompreensão. Esses tipos de crimes, massacres em escolas, assim como o de Suzane Von Richthofen e o de Isabela Nardoni, são crimes que atacam diretamente o laço social da sociedade. A sociedade para se fundar e existir precisa fazer valer certos pactos que são fundamentais. Nós humanos não temos esses pactos dados pelos instintos, mas sim através de acordos sociais que mesmo não que não sejam explícitos nos fazem participantes deles.  

Percebemos que esses tipos de crimes são mais frequentes na época de hoje, da globalização. Uma era que quebra pactos e que fere a relação fundamental entre as pessoas numa sociedade.  Esses crimes criam sobretudo uma comoção porque são diferentes dos outros crimes que aparentemente “nós entendíamos”.  Por exemplo, o caso da Suzane quando participou, colaborou e facilitou da morte de seu pai e de sua mãe, ela era uma menina  estudante de direito de uma Universidade igualzinha a todas as outras meninas estudantes de uma grande capital do país  e nada poderia anunciar que aquela menina fosse capaz de uma atrocidade que depois ela foi culpada por ter cometido. Esse tipo de crime faz com que as pessoas se perguntem , será que eu também seria capaz de cometer um absurdo desses?  

São crimes muito mais fortes porque na base desse pacto social está a relação familiar. Na nossa sociedade vários pactos já foram quebrados, por exemplo, antigamente não se assaltavam igrejas, hoje várias igrejas já foram assaltadas, ninguém assaltava velhinhos na praça, hoje eles também são assaltados, e agora escolas são bombardeadas, massacradas, ou seja, estamos diminuindo os locais de segurança de nossa sociedade, não estamos mais em guarda. A família, a escola é esse local ainda seguro, de um amor, de um afeto acima de qualquer circunstância e quando vemos esse pacto ser quebrado isso nos causa grande comoção.  

Estamos numa época de crimes inusitados, ou seja, fora de lugar, ocorrem mais hoje do que ontem. Pensávamos que esses crimes occorriam longe de nós e hoje vemos que não estamos fora disso, alías nenhum país ocidental está fora disso. Na base de uma explicação de um porque desses crimes está a passagem de uma sociedade que era verticalmente orientada, sociedade de um mundo industrial, sociedade onde as pessoas tinham o que fazer, um dever fazer já concebido, preparado para elas e a dificuldade das pessoas era saber se iriam  conseguir fazer o que tinham que fazer, o que já estava determinado; existiam objetivos claros na vida das pessoas, desde comprar um carro, onde a opção era de um ou dois, três tipos; tínhamos idade para casar, para ter filhos,  tínhamos as profissões, as que eram boas para se escolher e as que não eram boas, enfim era uma sociedade fortemente padronizada  que levava as pessoas a se adequarem ou se rebelarem com a sociedade. 

A partir do momento da globalização que temos uma multiplicidade de possibilidades, as pessoas se sentem desbussoladas, se sentem desgarradas, com sensação de desvario que gera muita angustia nas pessoas. Vemos movimentos reacionários, uma volta a uma ação anterior e também alguns sintomas novos, entre eles os crimes inusitados, que são escapes dessa satisfação que está no ar e que não se encaixa em nenhuma das categorias anteriores, o que podemos observar em um vídeo exibido pelo Jornal Nacional, da TV Globo, nesta terça-feira (12) sobre o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira – RJ,  Wellington Menezes de Oliveira, falando sobre como planejou o ataque ao colégio, ação ocorrida na última quinta-feira (7), onde 12 estudantes morreram.
Nas imagens, Wellington diz que o vídeo foi gravado na terça-feira (5), dois dias antes da tragédia. Na primeira parte exibida, o assassino fala de forma calma e ao mesmo tempo confusa sobre supostas razões que o levaram a cometer os crimes.
"A luta pela qual muitos irmãos no passado morreram e eu morrerei não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem".
 
"... Apesar de eu ser sozinho, não ter uma família praticamente, eu vivo sozinho, não tenho pessoas a dar satisfação. Mas como eu precisava ir no local e interagir com pessoas, para não chamar atenção eu decidi raspar a barba”, diz o trecho.
 
Em outra parte do vídeo, Wellington descreve como planejou a ação.
 
"Os irmãos observaram que eu raspei a barba. Foi necessário, porque eu já estava planejando ir no local para estudar, ver uma forma de infiltração. Eu já tinha ido antes, há muitos meses atrás, eu fui, eu ainda não usava barba. Eu fui para dar uma analisada”.

Como vemos, sua fala menciona solidão, falta de proteção, sem família...  (o que não o inocenta)

... Wellington há muito tempo atrás, menino, sem barba, precisava estudar e se infiltrar, se relacionar, mas não conseguiu dar conta de tudo isso...
 


Sandra é nossa mana querida de longa data e contribui com o blog



VINE CONSULTORIA E ENGENHARIA

Centro de Psicologia & Desenvolvimento Humano

psicoterapia/psicanálise/psicossomática/análise de grupo/hipnose/PNL

fone/fax (11) 4038-4281 mobile (11) 9411-6930