As Patologias Crônicas Das Igrejas Institucionalizadas - Parte 2

As Igrejas Pentecostais

Nesta parte da série de estudos sobre As Patologias Crônicas Das Igrejas Institucionalizadas, enfocaremos o que impede as igrejas carismáticas, “avivadas” ou pentecostais, de experimentarem o Cristianismo original, de acordo com a vida da igreja que encontramos no Novo Testamento.


É preciso dizer inicialmente que não faço nenhuma objeção a um mover genuíno do Espírito Santo na igreja em nossos dias. Entretanto, sou da opinião que as igrejas pentecostais colocaram a carroça na frente dos bois. Eles procuram obter o poder do Espírito Santo antes de passarem pela experiência de morte na cruz.

Nas Escrituras, a cruz precede o Pentecostes. O Espírito Santo somente encontra seu lugar de habitação numa vida crucificada.

Começar pelo Espírito ao invés de pela cruz é perigoso para a vida espiritual. Primeiramente porque pode guiar a pessoa a uma busca por poder sem caráter; por experiência mística sem semelhança de Cristo; por excitação da alma sem discernimento espiritual. E os demônios atuam quando não há discernimento.

Muitas pessoas, em sua necessidade de serem tocadas por Deus, se tornam consumidores de todo vento de doutrina ou experiência que sopre sobre a igreja de Cristo (Ef. 4.14). Como conseqüência, muitas pessoas desenvolveram uma dependência doentia de fenômenos e experiências “sobrenaturais”. Esta dependência é semelhante a um vício, e obscurece o papel das Escrituras Sagradas na vida de um crente. Além disso, gera uma insegurança espiritual patológica.

Não digo que o movimento pentecostal seja sem valor para o corpo de Cristo. O pentecostalismo despertou na igreja contemporânea uma genuína fome pelo mover de Deus. Contribuiu para desenvolver uma teologia carismática onde os dons espirituais continuam sendo distribuídos aos membros da igreja. E nos presentou com vários e belos cânticos de adoração.

Sua falha básica consiste em super-enfatizar a experiência sobrenatural. Em sua tendência de colocar os dons espirituais no trono, ao invés de Cristo – aquele que distribui os dons. E no seu zelo excessivo pelo sistema clerical. Francamente, o pastor de uma igreja pentecostal é o rei. E os membros dessas igrejas possuem pouca liberdade para funcionarem durante um culto.

O “guruismo cristão” também é endêmico nas igrejas pentecostais. “Profetas” poderosos e “apóstolos” são numerosos no movimento. Eles são reverenciados como ícones espirituais, quase possuindo fã-clubes.

Muitos pentecostais têm abraçado com devoção certos fenômenos que possuem pouca ou nenhuma base bíblica. Ao mesmo tempo, eles têm dado de ombros à experiência de vida em uma igreja tipicamente bíblica.

Paradoxalmente, a experiência que muitos pentecostais procuram só pode ser encontrada em uma igreja neotestamentária, orgânica. Quando as pessoas experimentam a autêntica vida no Corpo de Cristo, elas ficam curadas para sempre de seu vício por experiências místicas e de sua síndrome do avivamento. Elas descobrem vitalidade e estabilidade dentro de uma igreja local cativada e apaixonada por Cristo. Aqueles que têm sede de Deus irão encontrá-lo na ekklesia, pois ela é a sua paixão.
 
Infelizmente, a vida natural da igreja não flui em uma igreja pentecostal institucionalizada. A única esperança para elas é desplugar o clericarismo e conectar-se às Escrituras e às fontes da água da vida.