Em que Jesus você tem crido?

Por Franklin Rosa

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (João 7:38)

O grande tema deste capítulo é: QUEM É JESUS ?

Jesus foi enfático, simples e objetivo ao dizer que para entendê-lo teriam que crer N’Ele conforme DIZ A ESCRITURA, e não segundo a teologia do Pastor Fulano, Beltrano ou Cicrano.

Temos presenciado um tempo em que a Palavra de Deus não tem sido mais a Única fonte e regra de fé e prática do cristianismo, onde se tem valorizado mais a opinião e filosofia de homens que estão em evidência no cenário evangélico do que o que diz a Bíblia Sagrada.

Estamos vivenciando a era do ABRA-CADABRA, das palavras e orações temperadas com frases e terminologias místicas e metodologias miraculosas que, quando usadas e pronunciadas da forma correta trazem resultados rápidos e espetaculares (segundo os doutores desta nova teologia secularizada e mistificada).

É a era do aqui e agora, onde as pessoas buscam o PÃO DA TERRA, mas rejeitam o ALIMENTO DO CÉU.

As pessoas estão apelando para o FARO-ÍNTIMO e a famosa frase em nosso meio “EU SENTI DE DEUS”, está se tornando a verdade subjetivada de muitos, que rejeitam categoricamente o que disse o mestre como já mencionado anteriormente: “CONFORME DIZ A ESCRITURA”.

A teologia da determinação, é uma versão “evangelicalizada” que sutilmente introduz a parapsicologia em nossas liturgias, com máximas tais como: “eu decreto, eu determino, eu exijo”, puro poder da mente mascarado com religiosidade em NOME DE JESUS!

Como disse alguém: A Igreja do IDE passa a ser Igreja do VINDE, a evangelização passa a ser estratégia de marketing e os que se "convertem" para a igreja, passam a ser clientes e não ovelhas.

Paulo nos dá um alerta em (2 Tm 4:1-4) : “ Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo ... Que pregues a palavra, instes, a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina; Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores, conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.

Em que Jesus você tem crido?

No Jesus da teologia Pragmática O Jesus que funciona, que dá certo. Não importa se está certo, importa que dê certo. É desta teologia que nascem as campanhas da prosperidade, do descarrego, da troca de anjo e dos amuletos espirituais tais como: rosa ungida, sabonete do descarrego, água do rio Jordão,etc. Nesta escola os meios justificam os fins, o importante é o resultado final, ainda que endossado por passagens isoladas e interpretações forçadas das Escrituras.

No Jesus da teologia Subjetivista O Jesus do êxtase, do transe espiritual. O Jesus do experiencialismo humano transcedental sem entendimento, de onde surgem os crentes reteté, repleplé. Nesta teologia o importante é a experiência, a overdose emocional, o entorpecimento da razão e do juízo, em detrimento de uma doutrina sadia e equilibrada.

Aqui, o que vale é chamar Jesus de Genésio e ver anjo subindo pela parede. Valoriza-se mais o VIVIDO do que o ESCRITO.

No Jesus da teologia Antropocêntrica O Jesus escravo, empregado dos homens, onde o homem é o centro e a finalidade de tudo.

Onde Deus tem de estar pronto a atender as ordens e os caprichos do ser humano egocêntrico e mimado.

Onde a pessoa determina, decreta, exige e proíbe tornando-se assim soberana sobre todas as coisas.

A criatura usurpando o lugar do Criador. Desta teologia surgem os SUPER CRENTES, uma casta especial que não aceita passar por adversidades e tribulações. Uma geração triunfalista, que varre para debaixo do tapete seus fracassos e frustrações para passar a imagem de MAIS QUE VENCEDOR.

No Jesus da teologia da Cruz O Jesus do Calvário, o Homem de dores. Este com certeza é o que dá menos ibope, pois sua teologia é contrária ao pensamento da massa.

As pessoas no capítulo 6 de João, procuravam o Jesus da provisão e da multiplicação, mas Ele queria lhes revelar o Jesus da cruz.

O Jesus que negou-se e humilhou-se a si mesmo tomando a forma de servo, sendo obediente até a morte e morte de cruz.

No Jesus da cruz está implícita e intrínseca a teologia da renúncia, do compromisso com a Verdade, da mortificação do gigante chamado Eu, do sofrimento pelo Evangelho, da prioridade em buscar o Seu Reino e a Sua Justiça, da prosperidade espiritual que nos remete para uma séria reflexão dos valores que tem sido ensinados hoje nas Igrejas Evangélicas com tanta ênfase no aqui e agora, nas coisas transitórias e passageiras desta vida.

A moda nos temas dos sermões hoje é: Como ser bem sucedido, Como prosperar, O que fazer para alcançar sua vitória. A moda no tema do sermão de Jesus é, sempre foi e será: TOME SUA CRUZ E SIGA-ME!!!

Não há espaço para uma nova teologia cristrocêntrica. Uma teologia que menospreza as implicações da mensagem da cruz. “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo,Cujo fim é a perdição, cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” – (Fp 3:18-20)