O Poder Clérigo versus a Autoridade de Jesus



 

Ao longo dos séculos, com a paganização da Igreja, temos visto e lido, acerca de diversas formas de adulteração da Palavra e do sentido original da Graça, conforme Jesus a ensinou e Seus apóstolos a ratificaram!

Talvez, a maior deturpação tenha vindo após a ‘aliança’ da Igreja e Estado, feita através do imperador romano Constantino Magno. 

O que muitos acreditam ser uma genuína conversão ao Evangelho de Cristo, e à Graça como maneira de viver esse Evangelho, na verdade foi mesmo o contrário.

Constantino, que já era detentor do ‘maior poder da Terra’ como imperador dominante do mundo conhecido, agregou o ‘útil ao agradável’ quando instituiu a ‘igreja cristã’ como religião oficial do Império. 

Até então esse não era o modo como Roma operava. Veja o exemplo dos tempos em que Jesus caminhava fisicamente na Terra, os judeus exerciam seu ‘direito’ de manter sua religiosidade mesmo escravos de Roma, e deviam apenas reportar-se ao Governo quando algo estava exacerbando o controle que a eles era designado. 

Assim crucificaram a Jesus como um rebelde, um revolucionário que queria ‘subverter a religião hebraica’.

Então Constantino, usando de muita sagacidade, juntou talvez, os dois maiores poderes que a humanidade conhece:
O Estado – politicamente, governamentalmente, socialmente.
A Religião (aqui representada pela igreja) – fé, religiosidade, crendices, misticismo.

Essa agregação causou um imenso reboliço social, pois os povos acostumados a terem suas próprias fés e religiões, foram obrigados a converterem-se a ‘fé cristã’.

Por causa disso muitos foram mortos, reinos divididos, almas lançadas na perdição... Tudo em nome de uma pseuda fé cristã, baseada não nos ensinamentos de Cristo, que pregava sempre a paz, a ligação espiritual do homem a Deus e não físico-política-institucional.

Essa carga de pensamento ilógico, porém popular e latente, nos acompanha até hoje, mesmo após Reformas, Contra-Reformas, ‘Avivamentos’, e tantas outras mudanças litúrgicas.

Ainda vemos em nossos líderes, ou clérigos (pastores, bispos, apóstolos, padres, etc.) uma mistura de poder autoritário e social com espiritual e místico. 

Nossos pastores são vistos por nós, como verdadeiros representantes místicos de uma espiritualidade quase etérea. Homens e mulheres acima de bem e mal. Isentos de erros, santos num termo mais parecido com o que o catolicismo prega do que pregam as Escrituras.

Sobre isso li uma frase curiosíssima num bom livro que diz:“Mas o individuo de Ego hipertrofiado não aceita de bom grado essa limitação à sua tendência, essa coação anti-egoística exercida pelo fator “autoridade”.

Traduzindo livremente: Mas aqueles que não aceitam ser confrontados em suas idéias, abusam do fator autoridade, para coagir aos fiéis com a ‘soberana vontade de Deus’.

Essa faceta clériga temos visto frequentemente em praticamente TODOS os âmbitos da chamada igreja. O pastor possui autoridade pra dizer com quem se casar, com quem não casar, qual o melhor emprego, se somos ou não salvos, qual o melhor e o pior exemplos de cristãos... por aí vai.

Jesus, embora Sumo-sacerdote na Nova Aliança, onde exercia Sua autoridade através do Amor e do Sacrifício, nunca usou das imposições aos Seus seguidores como forma de se auto-promover e viver uma vida de possibilidades materiais e financeiras estáveis.

Muito pelo contrário. Embora pregasse o Reino de Deus como forma intrínseca de autoridade, onde Ele era o Rei, onde os súditos deveriam estar debaixo de Seu Cetro de Justiça, nunca os tratou como escravos, abusando de autoritarismo, como temos visto hoje.

Jesus veio pregar um Reino que não é deste mundo, ou seja, não se enquadra nas realidades truncadas e corrompidas das gerações, mas veio revitalizar através de Sua pessoa, um Reino de justiça, paz e alegria, onde o autoritarismo inspirado na Roma antiga cai aos pés do Amor, da Graça, da Paz que excede todo o entendimento humano.

Esse Reino, e nenhum outro, deve ser agregado como forma única e plena de se servir a Deus, onde pastores, padres, bispos, apóstolos são na verdade SERVOS e não mandatários que vivem em verdadeiros sultanatos de honraria humana.

Precisamos orar como Jesus orou: “Venha o TEU REINO, seja feita a TUA VONTADE assim na terra como no céu!” (MT. 6:10) 

Fonte: Wendel Bernardes