Desconstruindo a dogmática - Lei e Graça : pólos da nossa ambigüidade





Na Lei, Deus exigia do homem ser correto e ético; a falha era punida muitas vezes com a morte. Deus viu que isso não era bom... tal regra ia de encontro ao que somos: humanos, apenas humanos. Passamos a ser éticos de fachada, mas o coração continuava o mesmo.

Deus então inventou um negócio chamado "Graça". Agora, ele não puniria mais a falta de ética dos homens, agora, ele iria escrever sua lei nos corações deles; os homens passariam a buscar o viver correto ainda que soubessem passíveis sempre de falhas. Mas as falhas não seriam mais punidas por Deus, tais falhas teriam por vezes, apenas conseqüências para o próprio faltoso e para terceiros - problema que ele teria que lidar e resolver consigo e com o próximo.

A busca em conhecer a si mesmo que a Graça promove é algo que não acaba nunca, só com a morte, logo, nunca seremos "santos" e nem mesmo se quer que sejamos; ser santo é coisa para anjo e até mesmo alguns deles chutaram o balde lá no céu como dizem... Nesse contexto, um inferno para os faltosos na Graça é algo totalmente descabido e fora de contexto. Senão o medo continua e o homem não se eleva nunca de dentro para fora.

Esse foi o presente que o cristianismo legou aos homens: a busca do equilíbrio psíquico entre os pólos que somos: luz e trevas. Mas pouca gente entendeu